Benefícios dos ácidos gordos ómega 3 e 6 questionados

Estudo publicado nos ”Annals of Internal Medicine”

20 março 2014
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Uma equipa de internacional de investigadores veio por em causa as atuais recomendações que defendem a restrição do consumo de gorduras saturadas e fomentam o consumo de gorduras polinsaturadas na prevenção das doenças cardiovasculares, dá conta um estudo publicado nos ”Annals of Internal Medicine”.
 

O estudo, liderado pelos investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, analisou dados de 72 estudos prévios que incluíram a participação de 600.000 participantes de 28 nacionalidades.
 

Os investigadores constataram que o consumo de gorduras saturadas, medidas na dieta ou na corrente sanguínea, não estava associado ao risco de doença coronária. Foi também observado que não havia uma associação significativa entre o consumo total de ácidos gordos monoinsaturados e os ácidos gordos polinsaturados de cadeia longa, como o ácido gordo ómega-3 e 6, e a redução do risco de doença cardiovascular.
 

Curiosamente foi verificado que os diferentes subtipos de ácidos gordos ómega-3 e 6 apresentavam diferentes associações com o risco coronário. Os dados sugerem que os níveis, em circulação, de dois dos ácidos gordos ómega-3 mais conhecidos (o ácido eicosapentaenoico e docosahexaenóico) e o ácido araquidónico, um tipo de ómega-6, estão associados a um menor risco de doença coronária. Com base nestes resultados, os investigadores questionam as recomendações atuais que se focam no consumo total de ácidos gordos saturados ou insaturadas em vez dos seus subtipos.
 

No caso dos ácidos gordos insaturados os investigadores, liderados por Rajiv Chowdhury, constataram que havia uma associação positiva fraca entre o ácido palmítico e o ácido esteárico (encontrados abundantemente no óleo de palma e gorduras animais, respetivamente) e a doença cardiovascular, enquanto o ácido heptadecanoico (encontrado na gordura do leite) reduz o risco desta doença.
 

“Estes resultados sugerem que não há evidências suficientes para afirmar que uma dieta rica em gorduras polinsaturadas e baixa em gorduras saturadas reduz o risco de doença cardiovascular. Contudo, são necessários estudos em maior escala para confirmar estes resultados”, revelou, em comunicado de imprensa, Jeremy Pearson, da British Heart Foundation.
 

“Para além de tomarem a medicação necessária, a melhor forma de permanecer cardiacamente saudável passa por deixar de fumar, permanecer ativo, bem como assegurar que todos os alimentos ingeridos são saudáveis, não tendo apenas preocupação com as gorduras, mas também com o consumo de sal, açúcar frutas e vegetais”, acrescentou.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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