Bebidas artificialmente açucaradas na gravidez aumentam peso do bebé?

Estudo publicado no “JAMA Pediatrics”

12 maio 2016
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O consumo diário de bebidas artificialmente açucaradas pelas mulheres grávidas pode estar associado a um maior índice de massa corporal (IMC) do bebé e maior risco de excesso de peso no início da infância, sugere um estudo publicado no “JAMA Pediatrics”.
 

Mais de 20% das crianças em idade pré-escolar têm excesso de peso ou são obesas. Uma vez que o açúcar está associado à obesidade, os substitutos do açúcar ou os adoçantes artificiais tornaram-se populares. Alguns estudos têm indicado que o consumo crónico de adoçantes artificiais pode, paradoxalmente, aumentar o risco de obesidade e doença metabólica. Contudo, pouco se sabe sobre o efeito da exposição aos adoçantes durante a gravidez.
 

De forma a elucidar esta temática, os investigadores da Universidade de Manitoba, no Canadá, contaram com a participação de 3.033 pares de mães e filhos para analisar a associação entre consumo de bebidas artificialmente açucaradas e os seus efeitos no IMC durante o primeiro ano de vida. As mulheres tinham em média 32,4 anos. Foi realizado um questionário para avaliação da dieta adotada pelas mães durante a gravidez e medido o IMC ao um ano de idade.
 

O estudo apurou que a média do z-score do IMC, que mede desvios no IMC, ao um ano de idade era 0,19 e que 5,1% dos bebés tinha sobrepeso. Cerca de 29,5% das mulheres disse ter ingerido bebidas artificialmente açucaradas durante a gravidez. Na verdade 5,1% consumia estas bebidas diariamente.
 

Os resultados indicam que o consumo diário de bebidas artificialmente açucaradas, comparativamente com a ausência de consumo, estava associado a um aumento de 0,2 no z-score do IMC e a um risco duas vezes maior de as crianças terem excesso de peso ao um ano de idade. De acordo com os investigadores, estes resultados não podem ser explicados pelo IMC materno, energia total ingerida ou outros fatores de risco para a obesidade. Adicionalmente, verificou-se que o consumo de bebidas açucaradas não foi associado ao z-score do IMC das crianças.
 

“Os nossos resultados fornecem a primeira evidência humana de que o consumo de adoçantes artificiais durante a gravidez pode aumentar o risco de excesso de peso no início da infância. Tendo em conta a atual epidemia da obesidade e o consumo disseminado de adoçantes artificiais, são necessárias mais investigações para replicar os resultados noutros coortes, avaliar adoçantes específicos e os seus resultados a longo prazo e estudar os mecanismos biológicos subjacentes”, concluíram os autores do estudo.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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