Bebés usam expectativas para modelar cérebro

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

06 agosto 2015
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Os bebés utilizam as suas expectativas sobre o mundo em redor para rapidamente modelarem o cérebro, sugere um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 
Os investigadores da Universidade de Princeton, Universidade de Rochester e Universidade do Sul da Carolina, nos EUA, fizeram várias experiências com crianças de cinco a sete meses, tendo constatado que as zonas dos cérebros dos bebés responsáveis pelo processamento visual não respondem apenas à presença de um estímulo visual, mas também à mera expectativa desses estímulos.
 
Este tipo de processamento neuronal sofisticado pensava-se que ocorria apenas em adultos e não nos bebés, uma vez que os seus cérebros ainda estão a desenvolver ligações neuronais importantes.
 
Os investigadores submeteram um grupo de crianças a um padrão que incluiu um som seguido de uma imagem de um rosto vermelho sorridente. Outro grupo viu e ouviu as mesmas coisas, mas sem qualquer padrão. Foi utilizada a espectroscopia funcional de infravermelho próximo para avaliar a atividade cerebral quando as crianças eram expostas aos sons e imagens.
 
Após cerca de um minuto de exposição a sons e imagens, os investigadores começaram a omitir a imagem. Para os bebés que tinham sido expostos ao padrão, detetou-se atividade cerebral nas zonas visuais do cérebro, mesmo quando a imagem não aparecia como esperado.
 
De acordo com os investigadores, esta descoberta pode ajudar a clarificar os mistérios do desenvolvimento neuronal. 
 
"O que para mim é mais emocionante é a evidência que este trabalho fornece de que, desde muito cedo na infância, o córtex é capaz de criar expectativas sobre eventos futuros. Isto mostra que os bebés não só aprendem sobre o mundo exterior, como estão prontos desde muito cedo a fazer previsões sobre a coocorrência de eventos com base em breves experiências anteriores. Este trabalho tem, assim, o potencial de transformar os futuros estudos sobre a aprendizagem das crianças, que não se devem apenas focar naquilo que as crianças podem aprender, mas de olhar para a aprendizagem como um processo mais ativo”, conclui Janet Werker, da Universidade da Columbia Britânica.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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