Bebés reconhecem rostos bem mais cedo do que se pensava

Estudo publicado na revista “eLife”

05 junho 2015
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A capacidade única que os seres humanos têm de reconhecer rostos, um processo que envolve o hemisfério direito do cérebro, ocorre bem mais cedo do que se pensava. Acreditava-se que esta capacidade se desenvolvia à medida que as crianças aprendiam a ler, mas o estudo publicado na revista “eLife” defende que esta já se encontra bastante desenvolvida nas crianças com quatro meses de idade.
 

Estudos anteriores já tinham revelado que os bebés, desde o nascimento, pareciam ter preferência por imagens de rostos. Foi também sugerido que as crianças de poucos meses prestavam mais atenção aos rostos do que a padrões sem significado.
 

No entanto, até à data, ainda não se tinha provado que os lactentes tinham sistemas neuronais capazes de lhes conferir a capacidade de categorizar, à sua maneira, os rostos. "Os pais e encarregados de educação já estão conscientes quão rápido o cérebro do bebé se desenvolve, mas, até agora, a recolha de provas tem sido difícil devido às limitações dos métodos utilizados", revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Bruno Rossion.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Louvain monitorizaram a atividade cerebral de 15 bebés enquanto estes visualizavam uma sucessão de imagens rápidas ao longo de 20 segundos. Foram visualizadas 48 imagens de rostos que diferiam na perspetiva, cor, iluminação e fundo. Estas imagens foram intercaladas com 200 outras de animais, plantas, bem como com objetos feitos pelo homem.
 

Cada imagem foi apenas mostrada ao longo de 16 milissegundos, uma taxa utilizada nos estudos realizados em adultos. O estudo apurou que, comparativamente com outras imagens, a visualização de imagens de rostos coincidia com o aparecimento de um pico específico na estimulação do hemisfério direito do cérebro. Após terem comparado os resultados obtidos nas crianças com os resultados encontrados num estudo com adultos, os investigadores constataram que a diferença de atividade entre o hemisfério esquerdo e direito era mais pronunciada nos bebés.
 

Bruno Rossion refere que os humanos são mais eficazes a categorizar as imagens visuais do que os algoritmos dos computadores. "Tendo em conta os enormes recursos dedicados ao reconhecimento digital dos rostos, o que o cérebro dos bebés é capaz de fazer não é de todo trivial. O sucesso deste método de investigação em bebés é a prova de que este pode ser utilizado em todas as faixas etárias para melhorar a nossa compreensão de como desenvolvemos a capacidade de reconhecer imagens complexas”, explicou o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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