Bebés prematuros têm efeito positivo na relação dos pais

Estudo desenvolvido em Portugal

27 janeiro 2015
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Os casais que tiveram bebés prematuros permanecem juntos cinco anos após o nascimento dos filhos, o que sugere que a prematuridade tem efeito de coesão e não de rutura, defende um estudo desenvolvido no norte de Portugal.
 

O estudo intitulado “A transição para a parentalidade – o caso da prematuridade”, que inclui a participação de 20 casais progenitores pela primeira vez com idades compreendidas entre os 20 e os 40 anos, apurou que 65% continuavam casados ou em união de facto volvidos cinco anos.
 

O estudo realizado por Elisa Veiga, da Universidade Católica no Porto, demonstrou que as relações de homens e mulheres com filhos prematuros têm um “movimento contrário” às elevadas taxas de divórcio registadas em Portugal, “porque há uma situação que torna a relação mais forte e tem um efeito de coesão e não de rutura”, explicou a psicóloga.
 

Apenas dois dos casais entrevistados, que foram pais de gémeos prematuros, revelavam “muita tensão e algum desencontro na relação, estando estas dificuldades relacionadas com a “ansiedade materna”, refere Elisa Veiga, sublinhando, todavia, que “nenhum dos casais estava em situação de rutura”.
 

No caso de gémeos prematuros, por representarem uma maior sobrecarga, os pais estão mais tensos, com as mães mais ansiosas e exaustas e os pais tendem a ser mais intolerantes com as mulheres, apesar de entenderem o desgaste delas face a uma rotina muito exigente, acrescenta a especialista.
 

“A experiência [de ter um bebé prematuro] é muito mobilizadora”, explica a também professora de Psicologia na Universidade Católica do Porto, referindo, por exemplo, que o pai está muitíssimo presente na educação do filho e muito “apetrechado” para prestar cuidados às crianças em todas as tarefas diárias.
 

A maioria dos casais optou por não colocar o seu bebé em creches pelo menos até aos dois anos de idade, e as soluções passaram pelas mães deixarem de trabalhar para ficar a tomar conta do bebé, ou então deixá-los com avós ou amas “muito especiais”, que em ambos os casos se deslocam a casa do bebé. Apesar de a maioria dos casais se manter unida, apenas um casal estudado avançou para um segundo filho.
 

A prematuridade está a aumentar em Portugal na ordem dos 20 a 30%, e o crescente número de prematuros pode estar relacionado com fatores como “infeções intrauterinas, hábitos da vida moderna, mães fumadoras e stresse”, explicou à Lusa Hercília Guimarães, diretora do Serviço de Neonatologia do Hospital de São João (Porto).
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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