Bebés prematuros: Problemas para toda a vida?

Crianças que nascem antes do tempo apresentam dificuldades na escola

14 fevereiro 2002
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Três dos seis gémeos da madeirense Idalina Santos, que nasceram prematuramente no domingo, na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, não conseguiram sobreviver às primeiras 24 horas. Na quarta-feira dois dos três bebés ainda vivos acabaram por não resistir. No momento, e apesar da situação clínica ser bastante reservada, a criança que resta é um menino de nome Pedro, que pesa 563 gramas.
 

 

Os gémeos nasceram com apenas 23 semanas e três dias de gestação, pesando na altura do parto entre 408 e 500 gramas. O parto estava programado para as 26 semanas, mas as contracções começaram devido ao grande volume intrauterino. Apesar de ter sido aconselhada a retirar, às três semanas de gestação, três embriões, a mãe, Idalina Santos, 31 anos, recusou a operação.
 

 

Segundo os jornais nacionais, em Portugal não existe nenhum caso de sobrevivência de prematuros com menos de 24 semanas. Foi também a primeira vez que se registou no país um nascimento de seis gémeos. Normalmente, a causa das mortes dos bebés prematuros deve-se à imaturidade dos órgãos.
 

 

Consequências
 

 

A Medicina possibilita, hoje em dia, aos casais inférteis a possibilidade de - através técnicas de reprodução assistida - poderem concretizar o desejo de ser pais. Mas, se este é um facto benéfico e incontestável, será que os futuros pais têm conhecimento de todos os problemas que podem ocorrer ao seu tão desejado bebé?
 

 

Um estudo, publicado este Verão na revista Archives of Disease in Childhood, refere que os bebés nascidos prematuramente, entre cinco a oito semanas antes da data prevista do parto, têm maior probabilidade de enfrentar dificuldades de aprendizagem.
 

 

Charlotte Huddy, do Leicester Royal Infirmary, é inequívoca nos comentários: "Chega a um terço a proporção de crianças nascidas entre as 32 e 35 semanas de gravidez que têm problemas na escola."
 

 

Esta investigação inglesa identificou todos os prematuros nascidos entre cinco a oito semanas antes da data prevista do parto no condado de Oxfordshire, Grã-Bretanha, em 1990.
 

 

Mais de 10 anos após o nascimento, os investigadores foram saber como estão estas crianças. Pais, médicos e professores foram entrevistados. Os professores classificaram as crianças segundo seis áreas de habilidade e completaram um questionário sobre as habilidades e dificuldades desses alunos.
 

 

Três por cento destas crianças frequentavam escolas especializadas, quatro por cento necessitavam de ajuda especial na educação e 25 por cento contavam com a auxílio de uma assistente, revelam os números do estudo. Quase um terço apresentaram dificuldades em matemática, redacção e habilidade motora. O estudo reforça investigações anteriores que comprovaram os factos de os bebés prematuros apresentavam um risco mais elevado alto de ter dificuldades de leitura e problemas de comportamento.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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