Bebés prematuros parecem ter ligações cerebrais enfraquecidas

Estudo da Universidade de Washington

21 outubro 2015
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Os bebés que nascem prematuramente têm um maior risco de problemas neurológicos e psiquiátricos que podem ser justificados por ligações enfraquecidas nas redes cerebrais envolvidas na atenção, comunicação e processamento das emoções, refere um estudo apresentado na reunião anual da Sociedade de Neurociência.
 
“O cérebro é particularmente plástico no início da vida e pode ser potencialmente modificado através de uma intervenção precoce. Habitualmente não podemos começar as intervenções até os sintomas se desenvolverem, mas o que estamos a tentar fazer é desenvolver medidas objetivas do desenvolvimento cerebral em prematuros, para que possam indicar o risco de as crianças terem problemas futuros e possamos intervir com um suporte extra e terapia precoce para melhorar os resultados”, revelou, em comunicado, uma das autoras do estudo, Cynthia Rogers.
 
De forma a tentar entender melhor de que forma o parto prematuro afeta o cérebro, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos EUA, utilizaram ressonâncias magnéticas funcionais e imagem de difusão por ressonância magnética para comparar 58 bebés de termo com 76 nascidos pelo menos 10 semana antes do termo. Todos os bebés de termo foram submetidos a este tipo de exames no segundo ou terceiro dia de vida. Os bebés prematuros realizaram estes exames por volta da data em que completariam o tempo completo de gestação. 
 
O estudo apurou que algumas redes cerebrais chave envolvidas na atenção, comunicação e emoção, estavam mais enfraquecidas nos bebés prematuros. Na opinião dos investigadores, estes resultados explicam por que motivo os prematuros têm um risco elevado de problemas psiquiátricos.
 
O estudo apurou que existiam diferenças significativas nas fibras da substância branca e alterações nos circuitos cerebrais nos bebés prematuros, comparativamente com os bebés de termo.
 
As fibras da substância branca são constituídas por axónios que ligam as regiões do cérebro para formar redes. Foram também encontradas diferenças nas vias cerebrais em estado de descanso dos bebés prematuros, particularmente nalgumas redes anteriormente associadas a problemas de aprendizagem e desenvolvimento. 
 
Entre estas redes em estado de descanso encontra-se a rede de modo padrão, que tende a encontrar-se mais ativa quando as pessoas estão menos ativas. As maiores diferenças entre os bebés de termo e prematuros foram observadas nesta rede e na rede frontoparietal. Ambos compreendem circuitos cerebrais associados à emoção, os quais já tinham sido associados a distúrbios do espectro autista e transtorno do défice de atenção com hiperatividade.
 
De acordo com os investigadores, estas alterações nos circuitos cerebrais podem contribuir para problemas que se materializam à medida que a criança cresce.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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