Bebés preferem ouvir outros bebés

Estudo publicado em “Developmental Science”

15 maio 2015
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Os bebés demonstram muito mais interesse em escutar outros bebés do que adultos, são os resultados de um estudo recente.
 
Esta descoberta da autoria de investigadores da Universidade McGill, no Canadá, é muito relevante pois a equipa considera que o facto de os bebés sentirem uma inclinação pelos sons emitidos por outros bebés poderá ajudá-los a iniciar os processos envolvidos na aprendizagem da fala.
 
Para o estudo, a equipa liderada por Linda Polka, da Escola de Problemas da Comunicação da Universidade McGill, conduziu uma série de experiências com bebés. Foi dado a escutar aos bebes o som de uma vogal que imitava a voz de uma mulher adulta e a voz de um bebé. Os sons foram criados com uma ferramenta especial para o efeito. 
 
Foi medido o tempo de atenção dado pelos bebés a cada som e foi descoberto que aqueles demonstravam uma preferência clara pela vogal emitida por uma voz de bebé. Os bebés deram uma média de 40% mais de atenção à emissão de sons por uma voz de bebé do que por uma voz de adulto. 
 
Os bebés que participaram no estudo não palravam ainda. Portanto os sons que escutaram não faziam parte ainda das suas experiências auditivas do dia-a-dia, o que exclui a familiaridade dos sons como fator de preferência.
 
Outros bebés demonstraram o seu interesse de outras formas. Ao ouvirem as vogais pronunciadas por uma voz de adulto mantiveram-se passivos e com ar neutro. No entanto, ao escutarem os sons emitidos por uma voz de bebé sorriram ou mexeram a boca, ou ambos. Parecia que reconheciam o som como algo que eles próprios podiam fazer mesmo que nunca tivessem ouvido antes nada semelhante.
 
A autora principal do estudo põe a hipótese de os prestadores de cuidados saberem já isto de forma intuitiva: “talvez ao usarmos um tom alto de voz ao falarmos com os nossos bebés estejamos a prepará-los para perceberem a sua própria voz”, avança.
 
“Como adultos, usamos a linguagem para comunicar. Mas quando um bebé começa a fazer sons típicos da fala, muitas vezes tem mais a ver com explorar do que com comunicar…os bebés de facto vocalizam normalmente quando se encontram sozinhos, sem qualquer interação ou contacto visual com os outros”, continua a investigadora.
 
Esta descoberta tem o potencial de abrir novos horizontes no sentido de ajudar os bebés com problemas, como incapacidades auditivas, que afetam o desenvolvimento das suas capacidades linguísticas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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