Beber muita água faz bem?

Investigador explica benefícios e prejuízos

13 agosto 2002
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Não é fora do comum ouvirmos a voz popular aconselhar a ingestão de, pelo menos, um litro de água por dia. Revistas de beleza e especialistas também aconselham beber muita água para manter um bom funcionamento físico.
 

 

Mas, segundo um investigador norte-americano, afinal, beber um litro de água por dia não traz muitos benefícios e, ao invés, aumenta a necessidade de urinar com frequência.
 

Para Heinz Valtin, investigador da Escola Médica Dartmouth, em New Hampshire, EUA, não existem provas científicas que sustentem essa recomendação, o que, segundo a sua opinião, ajudou a criar um grande mercado para a água engarrafada.
 

 

O nefrologista e autor de livros sobre o balanço hídrico humano, após dez meses de investigação «criteriosa» diz não ter encontrado bases científicas para sustentar as opiniões populares.
 

 

Num artigo publicado no American Journal of Physiology, o especialista explicou que as pessoas esquecem-se que os alimentos também contêm água.
 

 

A Comissão de Nutrição e Alimentos do Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA (Food and Nutrition Board) recomenda o consumo de cerca de um mililitro de água para cada quilocaloria (kcal) ingerida. Isso representa até dois litros de água para uma dieta média de 2.000 kcal. Mas, o Conselho Nacional de Pesquisa adverte, no entanto, que boa parte dessa água já está contida nos alimentos.
 

 

Se uma pessoa ingere pouco líquido, o corpo compensa absorvendo novamente a água dos rins e reduzindo a perda de água pela pele, explicou o especialista às agências internacionais. A sensação de sede surge muito antes do início da desidratação, acrescentou o especialista.
 

 

Preocupação pessoal
 

 

O interesse do investigador por desmistificar a teoria de que beber muita água faz bem nasceu da leitura de inúmeros artigos em jornais e revistas. Valtin ficou intrigado e começou a perguntar aos colegas se conheciam estudos científicos que sustentassem as afirmações difundidas. Invariavelmente, todos os especialistas diziam não ter conhecimento.
 

 

A revista científica pediu-lhe, então, que Valtin fizesse a revisão de todas as investigações a que tivesse acesso. Ao final do trabalho, o cientistas concluiu que foram dadas informações erradas, ao aconselharem as pessoas a beber grandes quantidades de água quando, na realidade, a maioria delas não necessita.
 

 

«Estou, por exemplo, a referir-me aos adultos saudáveis que habitam em lugares com clima temperado e levam uma vida bastante sedentária».
 

 

No entanto, ressalva o investigador, as pessoas que apresentam determinadas doenças _ entre as quais os cálculos renais _ devem ingerir grandes volumes de água. «O restante pode beber uma quantidade suficiente para controlar a sede _ isso inclui a ingestão de café, chá e até de cerveja (apesar de seus efeitos diuréticos)», aconselhou Valtin.
 

 

Quanto aos prejuízos para a saúde, existe um: «A possibilidade de alguém beber muita água contaminada e ingerir grande quantidade de poluentes».
 

 

De resto, e bem menos grave, é o inconveniente de urinar constantemente e o constrangimento de ir à casa de banho com frequência.
 

 

Um aviso: A ingestão de quantidade excessiva de água pode provocar intoxicação, o que leva a confusão mental e até morte. A intoxicação por água é um dos efeitos mais mortais decorrentes do uso de Ecstasy, que aumenta a sede além da necessidade física real do utilizador.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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