Beber em moderação: benefícios cardiovasculares?

Estudo publicado na “BMJ”

27 março 2017
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Um estudo de largo espetro demonstrou uma associação entre o consumo de álcool em moderação e um menor risco de várias doenças cardiovasculares, mas não todas.
 
O estudo conduzido pela Universidade de Cambridge e pelo University College London, Inglaterra, baseou-se nos processos clínicos eletrónicos de 1,93 milhões de adultos saudáveis no Reino Unido para determinar a associação entre o consumo de bebidas alcoólicas e 12 doenças cardiovasculares.
 
No Reino Unido beber em moderação é entendido como consumir um máximo de 14 unidades (ou 112 gramas) de álcool por semana. Uma unidade de álcool é mais ou menos correspondente a um fino ou imperial (com cerca de 3,6% de álcool). 
 
No início do estudo todos os participantes não apresentavam doenças cardiovasculares. Os abstinentes de álcool foram separados dos indivíduos que bebiam ocasionalmente ou os que em tempos tinham consumido bebidas alcoólicas. 
 
Como resultado, beber em moderação foi associado com um risco menor de varias doenças cardiovasculares, mas não todas, que incluíam angina, insuficiência cardíaca e AVC isquémico, quando comparado com abstinência de bebidas alcoólicas.
 
Os autores argumentam que, no entanto, não se deve encorajar as pessoas a consumirem bebidas alcoólicas para reduzir o risco cardiovascular; deve-se sim aconselhar a prática de exercício físico e deixar de fumar. 
 
Beber em excesso, ou seja, exceder os limites acima referidos, demonstrou um risco maior de doenças cardiovasculares, que incluíam insuficiência cardíaca, paragem cardíaca e AVC isquémico, em comparação com beber em moderação. No entanto, beber em excesso apresentava um risco menor de enfarte agudo de miocárdio e de angina.
 
Isto não quer dizer que os indivíduos que bebem em excesso não possam sofrer um enfarte agudo de miocárdio no futuro, ressalvam os autores.
 
Devido à sua natureza observacional, não foi possível estabelecer uma causa e efeito. No entanto, este estudo foi a primeira vez em que esta associação foi analisada em larga escala. Estes achados poderão repercutir-se na comunicação efetuada pela saúde pública, em ferramentas para prever doenças e de aconselhamento aos pacientes. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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