Batata transgénica contra a fome

Índia quer usar novas culturas para acabar com flagelo no país

21 julho 2003
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O cultivo, para fins comerciais, de uma batata transgénica, a qual contém nutrientes ausentes nas dietas das populações mais pobres, deve ser aprovado na Índia antes do final deste ano.
 

 

Segundo o chefe do departamento de Biotecnologia do governo indiano, Manju Sharma, a batata seria dada de graça a milhões de crianças pobres em escolas públicas para tentar reduzir o problema da malnutrição no país.
 

 

A batata contém um terço a mais de proteína em relação à batata comum, incluindo nutrientes essenciais de alta qualidade. E foi criada com a adição do gene da planta amaranto, rica em proteína, ao código genético da batata normal.
 

 

Críticos da iniciativa dizem que o plano é arriscado e ingénuo – e que será usado como propaganda para promover os méritos dos transgénicos na Índia.
 

 

A nova batata está nos estágios finais do processo de obtenção de aprovação pelas entidades de controlo no país, e Sharma disse que estava confiante de que não haverá problemas nessa área. Segundo o responsável, este alimento deverá ser integrado no programa de almoço gratuito oferecido nas escolas pelo governo indiano. «Tem havido grande preocupação de que a desnutrição, a deficiência de vitamina A e a deficiência de proteína seriam as causas da cegueira», explicou a especialista à BBC. «Esta é uma preocupação global, particularmente nos países em desenvolvimento», acrescentou.
 

 

Para o director executivo da Dupont e defensor do projecto, Balvinder Singh Khalsi, esta nova batata tem um enorme potencial para o país. «Vemos isto como uma tecnologia para o futuro, porque o que a Índia realmente precisa é alimentar a sua população», disse Khalsi.
 

 

Apesar das provas científicas deste alimento, críticos do plano, como o médico Devinder Sharma, dizem que a batata transgénica não passa de um golpe publicitário para promover alimentos geneticamente modificados na Índia. «O que esse país precisa, e tem em abundância, são grãos (como grão de bico, ervilha, lentilha e feijão). Esses alimentos contêm de 20 a 26 por cento de proteína. Mas esta nova batata apenas tem 2,5 por cento de proteína. Então, diga-me qual é melhor», questionou.
 

 

Alguns ambientalistas também dizem que as empresas de biotecnologia talvez tenham exagerado nas vantagens oferecidas por lavouras transgénicas. «O potencial para a tecnologia tem de ser avaliado em termos do que está a ser oferecido, e há alternativas», explicou a ambientalista Vandana Shiva.
 

 

«Se é a única forma de se alcançar um resultado, então tudo bem. Mas se eu posso controlar pragas ao fazer cultivos alternados, não faz sentido introduzir genes permanentemente, para produzir toxinas na minha biodiversidade e permitir a contaminação de outros cultivos», disse Shiva.
 

 

A equipa que criou a batata transgénica diz que agora planeia usar engenharia genética para desenvolver cereais, frutas e outros legumes enriquecidos com proteínas. E esperam que a nova geração de culturas convença o público dos benefícios dos transgénicos.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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