Batalha entre microrganismos afeta saúde dos humanos

Estudo publicado na revista “Philosophical Transactions of the Royal Society B”

03 agosto 2015
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Há já alguns anos que determinados especialistas defendem que o uso excessivo de antibióticos está a criar superbactérias resistentes aos antibióticos, contudo, o estudo publicado na revista “Philosophical Transactions of the Royal Society B” defende que talvez os seres humanos tenham sido apanhados no meio de uma batalha invisível entre os microrganismos.
 

“As bactérias não estão apenas a evoluir para resistir aos fármacos, estas estão constantemente a evoluir para competir com outros microrganismos”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Farrah Bashey-Visser, da Universidade de Indiana, nos EUA.
 

O Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM), por exemplo, tem em alguns casos resistido ao tratamento devido à competição com outros microrganismos.
 

Um estudo recente conduzido na Europa apurou que uma estirpe de SARM tornou-se resistente ao antibiótico vancomicina após ter evoluído dentro de um hospedeiro infetado. A nova estirpe mutada do SARM substitui a original ao produzir uma toxina inibidora do crescimento. Estas toxinas, denominadas bacteriocinas, são um mecanismo de defesa comum utilizado pela bactéria para competir com microrganismos geneticamente semelhantes. Contudo, em resposta à exposição à bacteriocina, surgiu uma terceira estirpe resistente à toxina e coincidentemente à vancomicina.
 

Esta resistência ao fármaco foi um efeito secundário resultante das interações de evolução da SARM no hospedeiro, um processo que difere do típico desenvolvimento da resistência aos antibióticos que surge em oposição ao tratamento.
 

"Quanto mais os investigadores compreenderem os processos que moldam a evolução dos potenciais agentes patogénicos, mais serão capazes de prever o tempo que tratamentos se manterão eficazes", referiu a investigadora.
 

Na opinião de Farrah Bashey-Visser, os médicos geralmente utilizam uma abordagem "reducionista" para combater infeções, identificam o agente patogénico e depois fazem o que for mais eficaz para eliminá-lo.
 

Mas, embora eficaz, esta abordagem pode também ter consequências inesperadas. "Estamos cada vez mais a perceber que as bactérias nocivas são apenas uma parte do ecossistema do nosso organismo. Os antibióticos de largo espetro podem eliminar várias espécies de bactérias benéficas, ou pior, criar um espaço desprotegido, onde novas espécies se instalam e causam danos”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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