Base de dados europeia sobre cromossoma Y tem contributo português

Especialistas em ciência forense reunidos em seminário internacional

12 novembro 2002
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A análise da informação contida no cromossoma Y, o factor que determina a condição masculina, está a dar origem a uma base de dados europeia na qual trabalha um instituto português, o IPATIMUP.
 

 

O cromossoma Y é transmitido de pai para filho, sendo rigorosamente igual num e noutro, salvo ínfimos e raros erros de cópia, o que o torna numa marca de linhagem masculina que nunca se mistura com outros dados.
 

 

Como cerca de 90 por cento dos crimes violentos são cometidos por homens, a informação contida no cromossoma Y assume particular relevância em análises forenses.
 

 

As modernas técnicas de análise de ADN permitem analisar especificamente o que é contribuição masculina (cromossoma Y), mesmo quando a amostra a analisar contém um largo excesso de material feminino, como acontece com as amostras biológicas de casos de violação.
 

 

Logo, é o estudo das características genéticas transmitidas por via masculina que permite, por exemplo, comprovar se o perfil de ADN masculino encontrado na vítima corresponde ou não ao de um suspeito.
 

 

No entanto, este tipo de análise requer a construção de bases de dados genéticos populacionais muito extensas, permitindo estatísticas sobre a frequência dos diferentes tipos de linhagens existentes.
 

 

"O que a base de dados europeia vai permitir é a determinação, para cada região geográfica do continente, da frequência de um determinado perfil genético", disse, em declarações à Agência Lusa, António Amorim, vice-presidente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP).
 

 

"Quando no local de um crime for encontrada uma amostra (sémen, cabelo, pele) com um determinado perfil genético é preciso saber se ele é muito ou pouco raro numa população", explicou.
 

 

Só essa informação, compilada na base de dados europeia (YSTR Data Base), vai permitir dizer se há ou não muita probabilidade de se encontrarem pessoas idênticas, mas de outra linhagem, até porque há linhagens mais vulgares que outras.
 

 

O estudo deste marcador genético exclusivamente masculino e a sua aplicação forense estiveram em discussão entre quinta-feira e sábado durante um seminário internacional, o III International Forensic Y-User Workshop, organizado pelo IPATIMUP.
 

 

"O que nós conseguimos fazer tecnicamente neste momento é consultar algumas dezenas de folhas de um livro enorme", disse.
 

 

"O esforço, agora, é aumentar o número de amostras populacionais para aumentar o número de folhas do livro do cromossoma Y que podemos ler", acrescentou António Amorim, indicando que, quanto mais precisa for a informação disponível, mais seguro será dizer perante um tribunal se determinado suspeito é ou não o autor de um crime.
 

 

Contendo informações sobre o cromossoma Y coligidas por cerca de cem laboratórios de vários países, a YSTR dispunha, até ao Verão passado, de mais de 12 mil sequências, algumas delas de homens portugueses.
 

 

A reunião promovida pelo IPATIMUP, a primeira do género em Portugal, abordou também a necessidade de acrescentar novos marcadores genéticos aos já existentes, de forma a aumentar o seu poder informativo.
 

 

Os trabalhos reuniram cerca de 150 participantes no IPATIMUP, um instituto com o título de Laboratório Associado (do Estado).
 

 

O IPATIMUP desenvolve investigação na área da patologia humana, com particular ênfase na oncobiologia (cancro).
 

 

A formação em Patologia, a difusão de conhecimento científico, o ensino de estudantes universitários e a elaboração de diagnósticos periciais em diversos campos cobertos pelo instituto (Patologia, Oncobiologia e Genética Populacional) são outras das suas competências.
 

 

 

Fonte: Lusa
 

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