Barulho que adoece

Convivência com ruído leva a problemas graves de saúde

26 novembro 2001
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Viver nas grandes cidades é, hoje em dia, sinónimo de pouca qualidade de vida. Poluição, confusão, filas intermináveis de trânsito resultam, muitas vezes, em ataques de stress e ansiedade.
 

 

E, se para muitos a poluição atmosférica é a maior desvantagem das grandes “urbes”, para outros, é o ruído que transforma a vida num verdadeiro pesadelo. A família Mateus habita um terceiro no bairro de Alvalade, em Lisboa. Às sete da manhã são acordados pelo barulho dos automóveis que atravessam a segunda circular da capital. Cerca de 30 minutos depois são as buzinas dos carros que os fazem saltar da cama. Quando ainda não acabaram o pequeno-almoço, a família Mateus já contou, pelo menos, três aviões que descolaram do Aeroporto da Portela, a poucos quilómetros do local onde vivem.
 

 

Esta é uma situação extrema de contacto com o ruído. De facto, conviver com o barulho dos automóveis ou de um inofensivo ruído provocado pelos vizinhos pode conduzir ao desenvolvimento de graves problemas de saúde. Para discutir os problemas de saúde provenientes da convivência com o ruído, estão hoje reunidos em Londres vários especialistas mundiais.
 

 

E mesmo antes das conclusões, os cientistas afirmam, desde já, que altos níveis de ruído podem provocar graves problemas de sono, bem como elevar a pressão sanguínea.
 

 

Um estudo recente revelou que um quinto dos europeus vive em áreas poluídas por níveis elevados de ruído. Alguns especialistas sugerem que certos níveis elevados de ruído de fundo, tais como viver perto de uma estrada com muito tráfego, podem ter um impacto a longo prazo na saúde.
 

Deepak Prasher, especialista em audiologia e professor na Universidade de Londres, está a conduzir um estudo sobre a relação entre poluição sonora e saúde pública.
 

 

Em declarações à BBC, Prasher lança alguns avisos: “A cima de 75 decibeis, está a viver num local inabitável”. Segundo o especialista, as pessoas que vivem neste envolvimento também correm o risco em desenvolver hipertensão, causar danos ao sistema imunitário e coração.
 

 

Tal como a família Mateus, em Lisboa, Monica Robb vive perto do Aeroporto de Heathrow, Londres. Mas se na família Mateus os problemas de saúde derivados do ruído não vão além de um desconforto manifesto e de uma extrema vontade em mudar de casa, para Monica Rob a situação é bastante mais avançada. Rob toma medicação para a tensão alta, um problema, que segundo afirmou à BBC, resulta de seis anos de convívio com o barulho do aeroporto. «Levanto-me às 4h30 com os aviões a aterrar e não consigo voltar a dormir. Estou certa que é tudo resultado do barulho».
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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