Barreira sangue cérebro: o papel das células imunitárias

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

15 janeiro 2016
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Investigadores americanos constataram que as células responsáveis por proteger o cérebro da infeção e inflamação também são responsáveis pela reparação do sistema de defesa que separa o cérebro do restante organismo, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

O estudo realizado pelos investigadores do Centro Médico da Universidade de Rochester, nos EUA, tem implicações clínicas importantes, uma vez que determinados fármacos cardiovasculares podem possivelmente impedir que o cérebro se autorrepare após um acidente vascular cerebral (AVC) ou outros danos.
 

O cérebro é essencialmente um ecossistema independente, que tem um sistema de defesas dedicado contra infeções. Recentemente os investigadores, liderados por Maiken Nedergaard, constataram que o cérebro também tem o seu processo único de remoção de resíduos. Os movimentos para dentro e para fora do cérebro são estritamente controlados por um complexo sistema de entradas e controlos que são coletivamente denominados por barreira sangue cérebro.
 

Quando esta barreira é quebrada o cérebro fica vulnerável à infeção e danos. Desta forma é importante que as aberturas na barreira sangue cérebro sejam rapidamente seladas. Isto ocorre com frequência durante um AVC, que desencadeia a inflação e faz com que a barreira sangue cérebro seja quebrada.
 

Neste estudo, os investigadores verificaram que um tipo específico de células do sistema imunológico encontradas no cérebro, as microglia, desempenham um papel central no processo de reparação da barreira sangue cérebro.
 

As microglia, que estão presentes no cérebro e na espinal medula, estão constantemente a monitorizar o meio onde se encontram podendo ser ativadas para desempenharem funções distintas, nomeadamente, controlo da inflamação, destruição de agentes patogénicos, limpeza do “lixo” celular ou células danificadas e selar o local de qualquer dano.
 

Através de experiências realizadas em ratinhos, os investigadores verificaram que quando se formam brechas na barreira sangue cérebro, as microglia, que se encontram nas redondezas, são rapidamente mobilizadas e reparam os danos. Na maioria dos casos, a integridade da barreira fica restaurada entre 10 a 30 minutos.
 

Os investigadores verificaram que o recetor P2RYX12 era o responsável pela ativação das microglia e as direcionava para o local do dano. Este recetor está também presente nas plaquetas e é um dos alvos dos antiagregantes plaquetários.

 

Estes fármacos são administrados aos pacientes que estão em risco de enfarte agudo do miocárdio e AVC e ajudam a evitar que as plaquetas se agreguem e que não formem coágulos, os quais podem bloquear o fluxo sanguíneo e desencadear um AVC. Contudo, uma vez que estes fármacos também suprimem os P2RYX12 na microglia, estes podem potencialmente afetar a capacidade do cérebro levar a cabo as suas funções de reparação da barreira sangue cérebro após um AVC.

 

“A nossa preocupação é que, enquanto alguns antiagregantes plaquetários ajudam na prevenção de AVC, podem ter a consequência não intencional de agravá-lo ou dificultar a sua recuperação”, conclui Maiken Nedergaard.

 

Atualmente os investigadores estão a investigar o impacto da utilização de fármacos bloqueadores do P2RYX12 na função das microglia no cérebro.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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