Baixa escolaridade das mães associada à obesidade dos filhos

Estudo internacional

15 março 2016
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Os filhos cujas mães têm uma baixa escolaridade apresentam um risco maior de terem excesso de peso e obesidade, conclui um estudo internacional que teve a participação de investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).
 
Em Portugal registaram-se "percentagens elevadas e excesso de peso e de obesidade e uma percentagem elevada de mães pouco escolarizadas”, refere o comunicado do ISPUP ao qual a agência Lusa teve acesso.
 
Apesar das desigualdades de género terem sido semelhantes às observadas noutros países europeus, a diferença absoluta na proporção de excesso de peso entre os extremos de escolaridade foi particularmente elevada nas raparigas, constatou o estudo que teve a participação dos investigadores Henrique Barros e Sofia Correia, da Unidade de Pesquisa de Epidemiologia (EPIUnit) daquele instituto.
 
Portugal apresentou uma percentagem de 21% de crianças com excesso de peso, um resultado semelhante ao observado em Espanha e Reino Unido, variando entre 9% na Holanda e 24% na Grécia e em Itália. Relativamente à obesidade, o estudo mostrou variações entre 1% em França e 6.5% em Portugal.
 
Para a investigação "Impacto da Baixa Escolaridade Materna no Excesso de Peso e Obesidade na Primeira Infância na Europa" foram recolhidos dados de 11 estudos europeus de coorte – projetos prospetivos em que os participantes são avaliados ao longo do tempo.
 
Esses estudos, iniciados em fases "muito precoces", incluíram um total de 45.413 crianças entre os quatro e os sete anos, tendo os dados nacionais sido recolhidos no âmbito do projeto Geração XXI, coorte que segue mais de 8.500 crianças desde o nascimento (em 2005-2006).
 
"Independentemente de outras características, o risco de excesso de peso em crianças de mães pouco escolarizadas foi cerca de 1,6 vezes superior ao daquelas no topo da hierarquia", valor que aumentou para 2,6 quando avaliado o risco de obesidade, explicou Sofia Correia.
 
"Em termos absolutos, verifica-se uma diferença média entre os extremos de escolaridade na proporção de excesso de peso e de obesidade de quase 8% e 4%, respetivamente", acrescentou a investigadora.
 
O estudo apurou ainda que ocorriam diferenças sociais na composição corporal das crianças em diferentes países europeus, o que pode contribuir para "perpetuar a desvantagem social" em saúde nos próximos anos, refere ainda o comunicado. 
 
Na opinião dos autores do estudo, estes resultados "reforçam a urgência de uma intervenção precoce, mesmo antes do nascimento, no sentido de alcançar equidade em saúde".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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