Bactérias: um lobo na pele de cordeiro

Estudo publicado na “Science”

05 março 2013
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Investigadores americanos demonstraram que determinadas bactérias, incluindo a causadora da tuberculose, fazem-se passar por vírus quando infetam os humanos, o que lhes permite permanecerem escondidas dentro das células, dá conta um estudo publicado na revista “Science”.
 

“Com os 8,7 milhões de indivíduos a ficarem doentes com tuberculose todos os anos, um melhor conhecimento de como estas bactérias evitam o nosso sistema imunológico poderá conduzir a novas formas de as combater e ao desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e específicos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo Robert L. Modlin.
 

A proteção do sistema imunológico contra bactérias que provocam doenças e infeções depende fundamentalmente de um tipo de leucócitos que desempenha um papel muito importante no combate das infeções, os linfócitos T, e da produção de uma proteína conhecida por interferão gama (IFN-g). Esta proteína utiliza a vitamina D para alertar e ativar as células do sistema imune de forma a que estas destruam as bactérias invasoras.
 

Neste estudo os investigadores da University of California, nos EUA, descobriram que as bactérias podem passar por vírus, ativando o sistema imunológico a produzir uma proteína diferente, conhecida por interferão beta (IFN-β), a qual está envolvida no combate aos vírus e não às bactérias. Para além do IFN-β ser ineficaz contra as bactérias, pode também bloquear a ação do IFN-g o que dá vantagem às bactérias.
 

Os investigadores referem ainda que, se o organismo for realmente infetado por um vírus, o que despoleta a produção de IFN-β, a atenção do sistema imune será dispersada, impedindo desta forma o ataque à bactéria invasora. De acordo com os autores do estudo, este fenómeno poderá explicar por que motivo uma gripe pode conduzir a uma infeção bacteriana mais grave, como a pneumonia.
 

“Como um lobo em pele de cordeiro, as bactérias podem enganar o sistema imunológico e levá-lo a montar um ataque contra a infeção errada, o que enfraquece a resposta contra a bactéria”, revelou, a primeira autora do estudo, Rosane Teles MB.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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