Bactérias têm preferência na socialização

Estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”

17 maio 2016
  |  Partilhar:

As bactérias preferem "socializar" mais com umas do que com outras e trocar informação genética, que lhes dá resistência a antibióticos, através de "códigos" que lhes permitem reconhecer que informação deve ser trocada, refere um estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

De forma a chegar a estas conclusões, uma equipa de investigadores, incluindo dois portugueses, do Instituto Pasteur, em França, analisou mais de 800 genomas de bactérias, nomeadamente das que são más para os humanos, como as que causam meningite, pneumonia, infeções hospitalares e gástricas.
 

O investigador do Grupo de Genómica Microbiana Evolutiva do Instituto Pasteur e primeiro autor do estudo, Pedro Oliveira, referiu à agência Lusa que os resultados obtidos vão permitir, no futuro, perceber melhor como as bactérias interagem umas com as outras e com os humanos e como evoluem, a ponto de se tornarem patogénicas.
 

Esta é uma peça do puzzle fundamental, na medida em que, assinalou, "a resistência a antibióticos é cada vez mais frequente, devido à troca de informação genética entre bactérias".
 

Pedro Oliveira explicou que as bactérias "adquirem de outras bactérias resistência a antibióticos, tornando-se elas próprias resistentes a antibióticos".
 

A transferência de informação genética entre bactérias faz-se à custa dos chamados parasitas moleculares, que coexistem com elas. Se estes transportadores de informação genética são úteis para as bactérias, porque possibilitam que se tornem resistentes aos medicamentos que as eliminam, a verdade é que, muitas vezes, também podem ser prejudiciais para as bactérias, ao ponto de as matarem.
 

O grupo de investigadores do Instituto Pasteur confirmou que as bactérias, tal como as pessoas, têm um sistema imunitário que as protege de elementos invasores.
 

O sistema imunitário, no caso, tem o nome de sistemas de "restrição-modificação", compostos por uma série de proteínas que funcionam como um "código" que permite às bactérias reconhecerem a "informação genética que é sua da que não é".
 

O estudo apurou que o número destes elementos de controlo, que regulam o que entra numa célula, tem "uma forte influência" na forma como as bactérias interagem umas contra as outras, como "socializam entre si" e trocam informação genética.
 

De acordo com Pedro Oliveira, "as bactérias têm preferências na socialização", escolhem umas e não outras para aumentar "a variabilidade do seu ADN". Isto acontece quando as bactérias têm mais elementos de controlo, de reconhecimento do "ADN invasor".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.