Bactérias resistentes aos antibióticos: o potencial dos transplantes fecais

Estudo publicado na revista “The Journal of the American Osteopathic Association”

07 maio 2019
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Os transplantes fecais ou as terapias de substituição microbiana poderão bloquear o desenvolvimento de infeções causadas pela bactéria Clostridiodes difficile (C. diff), indicou um novo estudo.
 
Segundo a equipa de investigadores que conduziu o estudo, da Mayo Clinic, EUA, ao contrário dos antibióticos que são destrutivos por definição, os transplantes fecais e as terapias de substituição microbiana renovam o microbioma intestinal com uma variedade de micróbios.
 
As infeções por C. diff são, em muitos casos, recorrentes. Se não forem tratadas, poderão conduzir a septicémia e morte. Robert Orenstein, investigador deste estudo, explicou que estas infeções são cada vez mais comuns e persistentes. 
 
O tratamento normalmente usado para a C. diff é o antibiótico vancomicina. Contudo, ao eliminar a bactéria C. diff, o antibiótico extermina também as bactérias benéficas, podendo assim perpetuar a infeção. 
 
“Pensemos nos nossos intestinos como sendo uma floresta e a C. diff como uma erva-daninha”, disse o investigador. “Numa floresta viçosa, as ervas-daninhas mal conseguem sobreviver. Mas se incendiarmos a floresta, as ervas-daninhas vão florescer”, apontou. 
 
A equipa referiu que a C. diff é comum em contextos de cuidados de saúde e espaços públicos e raramente causa problemas em pessoas com microbiomas intestinais e sistemas imunitários saudáveis. 
 
Contudo, a bactéria é um risco para as pessoas já doentes ou que estão a tomar antibióticos, a receber quimioterapia ou inibidores da bomba de protões. Os idosos são particularmente vulneráveis.
 
Não existem atualmente produtos para transplante fecal aprovados e a realização de um desses transplantes é considerada como um procedimento de investigação. No entanto, disse a equipa, nos EUA existem já produtos que se encontram na fase 3 de ensaios clínicos e poderão estar disponíveis no mercado já em 2020. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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