Bactérias nas gengivas associadas a doença de Alzheimer e outras

Estudo publicado na revista “The FASEB Journal”

10 abril 2019
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Uma equipa de investigadores descobriu que as bactérias envolvidas na doença das gengivas conseguem deslocar-se pelo organismo, transmitindo toxinas associadas à doença de Alzheimer, artrite reumatoide e pneumonia por aspiração.
 
Num estudo conduzido pela equipa liderada por Jan Potempa da Universidade de Louisville, EUA, e da Universidade de Cracóvia, Polónia, descobriu-se que a bactéria conhecida como Porphyromonas gingivalis, responsável pela periodontite, a forma mais grave da doença das gengivas, consegue deslocar-se da boca para o cérebro.  
 
Estudos anteriores tinham já detetado a presença da bactéria Porphyromonas gingivalis em amostras de tecido cerebral de pacientes com Alzheimer.
 
Para a sua investigação, os investigadores compararam amostras de tecido cerebral de pessoas que tinham falecido com e sem doença de Alzheimer e que tinham idades semelhante na altura do falecimento.
 
A equipa descobriu que a Porphyromonas gingivalis era mais comum nas amostras dos pacientes com Alzheimer. Isto foi detetado através do ADN da bactéria e da presença das toxinas-chave da mesma, conhecidas como gingipains. 
 
Em ensaios com ratinhos, os investigadores demonstraram que a Porphyromonas gingivalis tem a capacidade de se deslocar da boca para o cérebro, mas que isso pode ser bloqueado através de químicos que interagem com as gingipains.
 
Para o efeito, encontra-se atualmente na fase I de ensaios clínicos um fármaco experimental denominado COR388, que consegue bloquear as gingipains. 
 
A equipa encontra-se ainda a trabalhar noutros compostos que bloqueiem enzimas importantes para a Porphyromonas gingivalis e outras bactérias das gengivas, com o intuito de travar o contributo das mesmas para a progressão da Alzheimer e outras doenças.
 
“A higiene oral é muito importante ao longo da nossa vida, não só para termos um lindo sorriso, mas também para diminuir o risco de muitas doenças graves”, recomendou Jan Potempa. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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