Bactérias intestinais são essenciais para o desenvolvimento de células imunes

Estudo publicado na revista “Cell Host & Microbe”

17 março 2014
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As bactérias intestinais desempenham um papel importante no desenvolvimento dos leucócitos,  um tipo de células imunes envolvidas no combate das infeções, defende um estudo publicado na revista “Cell Host & Microbe”.
 

O corpo humano é composto por centenas de espécies microbianas, conhecidas coletivamente como microbioma, havendo cada vez mais estudos que indicam que estas são essenciais para a saúde. Estas espécies microbianas encontram-se em elevadas concentrações e diversidade no trato gastrointestinal, particularmente no cólon.
 

Nos últimos anos, os investigadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA, têm realizado vários estudos neste âmbito, tendo nomeadamente constatado que os microrganismos intestinais podem aliviar sintomas da doença inflamatória intestinal, esclerose múltipla e autismo.  
 

Agora neste estudo, os investigadores, liderados por Sarkis K. Mazmanian, constataram que as bactérias intestinais eram necessárias para o desenvolvimento das células do sistema imune inato, especificamente os macrófagos, monócitos e neutrófilos, que funcionam como primeira linha de defesa contra os agentes patogénicos.
 

Estas células, para além de estarem presentes na circulação sanguínea, podem também ser encontradas nos rins e medula óssea. O estudo apurou que o número destes leucócitos em ratinhos nascidos sem bactérias intestinais era menor do que o encontrado nos ratinhos com uma flora intestinal normal.
 

Os ratinhos nascidos sem bactérias intestinais também apresentavam menos granulócitos e células progenitoras de monócitos, células semelhantes às células estaminais que podem eventualmente diferenciar-se em alguns tipos de células imunitárias maduras. Foi ainda constatado que a proporção de leucócitos encontrada nos rins destes animais nunca chegava à encontrada nos animais saudáveis.
 

O estudo também demonstrou que, contrariamente aos ratinhos nascidos sem bactérias, os animais saudáveis recuperaram rapidamente da exposição à bactéria patogénica Listeria monocytogenes. Numa outra experiência, os investigadores administraram aos ratinhos saudáveis um antibiótico que eliminava tanto as bactérias saudáveis como as prejudiciais, sendo posteriormente expostos à Listeria monocytogenes. Foi observado que neste caso os animais demonstraram dificuldades em ultrapassar a infeção.
 

Tendo por base estes resultados, os investigadores colocam algumas questões pertinentes como o fato de a administração de antibióticos poder tornar as pessoas mais sensíveis às infeções ou mesmo se uma população saudável de bactérias intestinais pode ser uma alternativa eficaz à toma de antibióticos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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