Bactérias intestinais pode prever risco de infeções graves após quimioterapia

Estudo publicado na revista “Genome Medicine”

03 maio 2016
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As bactérias presentes nos intestinos podem prever o risco de infeções sanguíneas com risco de vida após uma dose elevada de quimioterapia, dá conta um estudo publicado na revista “Genome Medicine”.
 

Anualmente, cerca de vinte mil pacientes com cancro são tratados com doses elevadas de quimioterapia, para a preparação de transplantes de medula óssea ou de células estaminais. Tipicamente cerca de 20 a 40% desenvolvem infeções sanguíneas após a quimioterapia e infelizmente, cerca de 15 a 30% destes pacientes morre devido a estas infeções.
 

Acredita-se que as bactérias entrem na corrente sanguínea através de lesões intestinais, devido à inflamação induzida pela quimioterapia na membrana que reveste o trato digestivo. Após a infeção ter início, o próprio sistema imunológico dos pacientes é eliminado e frequentemente ficam incapazes de combater agentes patogénicos e os antibióticos frequentemente não funcionam.
 

Atualmente não existe uma forma eficaz de prever quais os pacientes que irão adquirir uma infeção da corrente sanguínea. Os tratamentos com antibióticos variam muito entre instituições. Em algumas, os pacientes são tratados com antibióticos preventivos ao longo da quimioterapia. Noutras, poucos pacientes recebem antibióticos preventivos, uma vez que estes podem conduzir a um aumento da resistência a estes medicamentos.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade do Minnesota, nos EUA, e do Hospital Universitário de Nantes, em França, decidiram averiguar de que forma as bactérias que estão presentes no intestino, antes de o tratamento ser iniciado, podem estar associadas ao risco de infeção da corrente sanguínea.
 

Os investigadores colheram amostras de fezes de 28 pacientes com linfoma não-Hodgkin, antes da quimioterapia ter início. O ADN bacteriano foi sequenciado para medir a saúde do ecossistema bacteriano no intestino de cada paciente.
 

O estudo apurou que 11 dos 28 indivíduos adquiriram uma infeção sanguínea após a quimioterapia. Verificou-se que estes pacientes tinham uma mistura de bactérias intestinais significativamente diferente dos pacientes que não tiveram infeção.
 

Através de ferramentas computacionais, os investigadores desenvolveram um algoritmo que pode “aprender” que bactérias são benéficas e prejudiciais para um determinado conjunto de pacientes. O algoritmo é capaz de prever com um grau de probabilidade de 85% se um paciente vai ser alvo de uma infeção sanguínea.
 

"Este método funcionou ainda melhor do que esperávamos, pois encontrámos diferenças consistentes entre as bactérias intestinais presentes em indivíduos que desenvolveram infeções e aqueles que não as desenvolveram. Este estudo é uma demonstração inicial de que podemos utilizar as bactérias do intestino para prever infeções e possivelmente desenvolver novos modelos de prognóstico para outras doenças”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos coautores do estudo, Dan Knights.
 

Apesar do modelo de previsão ser robusto, os investigadores referem que são necessários mais estudos que envolvam mais pacientes, com diferentes tipos de cancro, diferentes tratamentos e provenientes de vários centros de tratamento.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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