Bactérias intestinais diminuem risco de asma infantil

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

06 outubro 2015
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As crianças podem ficar protegidas da asma se adquirirem, até aos três anos, quatro tipos de bactérias intestinais, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 
As taxas de asma têm aumentado bastante desde 1950, afetando atualmente até 20% das crianças nos países ocidentais. Este estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade da Columbia Britânica e do Hospital Pediátrico da Columbia Britânica, no Canadá, poderá ajudar no desenvolvimento de tratamentos probióticos para a asma infantil. Esta descoberta também pode ser utilizada para desenvolver um ensaio para prever quais as crianças que estão em risco de desenvolver asma.
 
No estudo, os investigadores, liderados por B. Brett Finlay, analisaram amostras fecais de 319 crianças. Verificou-se que as crianças com três meses de idade com maior risco de asma apresentavam níveis baixos de quatro tipos de bactérias.
 
Os bebés normalmente adquirem estas quatro bactérias – Faecalibacterium, Lachnospira, Veillonella, Rothia (FLVR) – do meio ambiente, embora alguns, devido às circunstâncias de nascimento ou outros fatores, não. De acordo com B. Brett Finlay, este estudo “apoia a hipótese higienista, de que estamos a tornar o nosso ambiente demasiado limpo. Estes achados também demonstram que as bactérias intestinais desempenham um papel na asma, mas no início da vida quando o sistema imunológico do bebé ainda está a ser estabelecido”.
 
A hipótese higienista propõe que as alterações que têm sido realizadas no estilo de vida, de forma a viver de um modo mais higiénico e limpo, têm conduzido a uma diminuição da exposição a microrganismo que são importantes para o desenvolvimento e fortalecimento do sistema imunitário.
 
Os investigadores também verificaram que havia poucas diferenças nos níveis de FLVR em crianças com um ano de idade, o que sugere que os primeiros três meses de vida são importantes para o desenvolvimento do sistema imunológico.
 
Estes resultados foram também confirmados em ratinhos, tendo os investigadores verificado que ratinhos recém-nascidos inoculados com os quatro tipos de bactérias desenvolviam asma menos severa.
 
“Esta descoberta dá-nos novas e potenciais formas de impedir esta doença que põe em causa a vida de muitas crianças. Demonstra que há uma curta janela de oportunidade, de cerca de 100 dias, para as crianças receberam intervenções terapêuticas contra a asma”, conclui um dos líderes do estudo, Stuart Turvey.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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