Bactérias intestinais ajudam a diminuir AVC

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

31 março 2016
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Determinado tipo de bactérias intestinais podem ajudar o sistema imunitário a diminuir a gravidade do acidente vascular cerebral (AVC). Este achado, publicado na revista “Nature Medicine”, pode ajudar a abrandar o AVC, que é a segunda principal causa de morte em todo o mundo.
 
No estudo, os investigadores do Weill Cornell Medicine, nos EUA, administraram uma combinação de antibióticos em ratinhos. Duas semanas mais tarde, os cientistas induziram nos animais o tipo mais comum de AVC, o AVC isquémico, no qual uma obstrução dos vasos sanguíneos impede o sangue de chegar ao cérebro. 
 
O estudo apurou que os ratinhos tratados com antibióticos sofreram um AVC cerca de 60% menor do que os animais que não foram tratados. De acordo com os investigadores, o ambiente microbiano no intestino direcionou as células do sistema imunológico para proteger o cérebro.
 
“O nosso estudo mostra que há uma nova relação entre o cérebro e o intestino. A flora intestinal influencia o resultado do AVC, o que poderá ter impacto na forma como a comunidade médica encara o AVC e define o seu risco”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Josef Anrather.
 
O estudo sugere que a modificação da flora intestinal pode tornar-se um método inovador para impedir o AVC. Isto pode ser especialmente útil para pacientes com risco elevado, como os que são submetidos à cirurgia cardíaca, ou que têm múltiplos vasos sanguíneos obstruídos no cérebro.
 
Contudo, são necessários mais estudos para perceber exatamente que componentes bacterianos produzem a mensagem de proteção. Os investigadores sabem, no entanto, que as bactérias não interagem quimicamente com o cérebro, mas influenciam a sobrevivência neuronal ao modificar o comportamento das células imunitárias. As células imunitárias do intestino atingem o revestimento exterior do cérebro, as meninges, organizando e direcionado a resposta ao AVC. 
 
“Um dos achados mais surpreendentes é que o sistema imunitário torna o AVC mais pequeno ao orquestrar a resposta a partir do exterior do cérebro, como um maestro que não toca um instrumento, mas instrui os outros, acabando por criar música”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos coautores do estudo, Costantino Iadecola.
 
Esta associação entre o intestino e o cérebro tem implicações promissoras para a prevenção de AVC no futuro, o que, na opinião dos investigadores, pode ser alcançada através de alterações dos hábitos alimentares dos pacientes ou dos indivíduos que estão em risco de desenvolver esta condição.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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