Bactérias fotossintéticas com propriedades anticancerígenas ou antimicrobianas?

Investigador do CIIMAR recebe bolsa de 1,5 ME para estudar bactérias fotossintéticas

01 setembro 2017
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Um investigador do Porto recebeu uma bolsa de aproximadamente 1,5 milhões de euros para estudar novos compostos naturais de cianobactérias, um grupo de bactérias fotossintéticas que podem ter propriedades anticancerígenas ou antimicrobianas, anunciou a agência Lusa.
 
A bolsa foi atribuída pelo Conselho Europeu de Investigação a Pedro Leão, do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR), e o projeto, designado FattyCyanos - Incorporação e modificação de ácidos gordos em produtos naturais de cianobactérias, vai ser desenvolvido nos próximos cinco anos.
 
As cianobactérias sintetizam "mais produtos naturais do que aqueles que são conhecidos pela ciência, muitos dos quais incorporando ácidos gordos", no entanto, para os descobrir, é necessário recorrer a "novas estratégias, mais sofisticadas", disse à Lusa Pedro Leão.
 
Segundo o investigador, as cianobactérias incorporam ácidos gordos nos seus metabolitos (produtos resultantes do metabolismo de uma determinada molécula ou substância), tendo alguns deles funções estruturais (como os lípidos das membranas celulares) e, outros, funções especializadas, sendo estes últimos aqueles que interessam neste projeto.
 
"Estes compostos que incorporam ácidos gordos são capazes de penetrar nas membranas das células ou interagir com as superfícies celulares, sendo comum terem atividades antibacterianas, antivíricas ou antifúngicas", explicou.
 
As cianobactérias são também especialistas em utilizar diferentes enzimas para modificar os ácidos gordos de uma forma seletiva e eficiente" e "muitas dessas modificações não são ainda acessíveis à química orgânica convencional", havendo interesse nas áreas de catálise e biologia sintética em entender os mecanismos por trás dessas transformações.
 
Embora o objetivo principal do projeto não seja a criação de produtos, Pedro Leão acredita que os novos compostos de cianobactérias possam atuar nas ações anticancerígenas ou antimicrobianas.
 
Para além disso, é possível que as enzimas que produzem estes compostos sirvam "de inspiração para que os químicos desenvolvam novos reagentes", podendo ainda ser aplicadas em micro-organismos capazes de sintetizar diferentes moléculas necessárias à atividade humana, como fármacos ou combustíveis, sem recurso à química tradicional.
 
Pedro Leão, investigador no CIIMAR desde 2015, tem vindo a desenvolver um programa de investigação na área da química e biossíntese de produtos naturais, maioritariamente de origem marinha.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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