Bactérias em lentes de contacto podem causar cegueira
29 janeiro 2002
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Os utilizadores de lentes de contacto podem correr o risco de sofrer sérias infecções nos olhos, uma das causas da perda da visão parcial ou total.
 

 

Segundo um estudo feito na Áustria e publicado no British Journal of Ophtalmology , os produtos para limpeza e conservação de lentes de contacto existentes no mercado não são suficientemente fortes para eliminar agentes infecciosos que podem causar úlcera nos olhos.
 

 

A recomendação dada aos utilizadores de lentes é desinfetá-las todas as noites, colocando-as numa solução, que geralmente contém peróxido de hidrogénio, substância química destinada à esterilização.
 

 

Mas os cientistas do Departamento de Parasitologia Médica da Universidade de Viena descobriram que as soluções disponíveis no mercado são pouco eficazes na eliminação da Acanthamoeba, um microorganismo responsável pelas infecção nos olhos dos que utilizam as lentes de contacto. Essa infecção pode provocar ceratite, uma das causas da cegueira.
 

 

Porquê?
 

 

A Acanthamoeba é resistente à acção das soluções químicas porque se apresenta em duas formas: Forma trofozoíta ou cística. Os cistos reproduzem-se com menos frequência e são menos susceptíveis às substâncias presentes nos produtos para lentes de contacto.
 

 

O professor Horst Aspock, do Instituto Clínico de Higiene de Viena, descobriu que nem todas as soluções para limpeza das lentes podem acabar com a bactéria. Ao guardar as lentes de contacto em diferentes soluções por oito horas, os investigadores austríacos descobriram que todas eliminam os microorganismos sob a forma de trofozoíta. Mas alguns cistos sobrevivem depois do mesmo tempo.
 

 

Cuidado com os estojos
 

 

De acordo com Aspock, as pessoas que usam lentes de contacto mais maleáveis (não-rígidas) correm um risco maior de apresentar a doença. Segundo as recomendações do especialista, o uso em duas etapas do peróxido de hidrogénio –produtos dupla acção com 0,6 por cento de peróxido de hidrogénio - mata os dois estágios de vida do organismo. Colocar as lentes sob microondas ou fervê-las também ajuda a destruir a bactéria ocular. "A principal recomendação é usar um sistema de duas etapas e substituir os estojos de armazenamento com frequência", afirmou o cientista.
 

 

As soluções multi-uso sem peróxido não apresentam o mesmo resultado, matando apenas os cistos de alguns tipos de microorganismos. As soluções simples de peróxido também não são suficientes para eliminar os cistos, mesmo depois de oito horas de imersão. Por isso, em tese, os microorganismos continuariam vivos e se reproduzindo nos restos de solução deixados nos estojos.
 

 

A Acanthamoeba é normalmente encontrada no solo, poeira e água salgada. Este microorganismo também pode penetrar na pele através de um corte ou ferida ou nos olhos através das lentes. Os estojos de armazenamento também podem transformar-se em verdadeiros ninhos de proliferação de organismos, aponta o estudo.
 

 

Em declarações à BBConline, John Dart, especialista em doenças dos olhos do Instituto de Oftalmologia de Londres disse que estes microorganismos são capazes de sobreviver no "limo" deixado dentro dos estojos de lentes de contacto. "Os organismos que vivem nesse limo têm um metabolismo muito mais lento e há vários estudos que mostram o grau de resistência às substâncias para esterilização", afirmou Dart. E assegura: "Nenhum produto do mercado funciona muito bem nos estojos de lentes de contacto."
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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