Bactérias do sistema digestivo associadas à obesidade

Estudo publicado na “Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism”

02 abril 2013
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Um teste aos gases presentes no hálito parece indicar a suscetibilidade de se desenvolver obesidade, revela um estudo recente conduzido por uma equipa de investigadores do Cedars-Sinai Medical Center, nos EUA.
 

Segundo este estudo, as pessoas com níveis elevados de hidrogénio e metano no hálito apresentam uma maior tendência para apresentarem um índice de massa corporal (IMC) mais elevado.
 

Tudo indica que a presença de certas bactérias no sistema digestivo promove a extração de mais calorias a partir dos alimentos, conduzindo ao aumento de peso. O novo estudo vem dar mais força aos relatos crescentes sobre a influência surpreendente dos micróbios sobre o nosso metabolismo.
 

“Este constitui o primeiro estudo conduzido em seres humanos que vem demonstrar uma associação entre a produção de gases e o peso corporal”, explica a líder do estudo, Ruchi Mathur, diretora dos serviços de consulta externa e do centro educativo da divisão de endocrinologia do Cedars-Sinai Medical Center.
 

Para este estudo, a equipa contou com a participação de 792 pessoas às quais foram feitas medições aos gases presentes no hálito. A equipa descobriu quatro padrões: hálito normal, hálito com níveis mais elevados de metano, níveis mais elevados de hidrogénio ou um nível mais elevado de ambos os gases.
 

Os participantes que apresentavam níveis maiores de metano e hidrogénio eram os que apresentavam umrisco significativo de terem um IMC mais elevado, assim como uma maior proporção de gordura corporal.
 

A bactéria Methanobrevibacter smithii (M. smithii), presente no sistema digestivo, é responsável por grande parte do metano produzido no sistema digestivo dos seres humanos. Segundo a investigadora líder do estudo, esse tipo de bactéria é muito benéfico devido ao facto de ajudar na extração de energias e nutrientes a partir dos alimentos.
 

No entanto, a presença desta bactéria em níveis demasiado elevados conduz a uma alteração no equilíbrio energético do organismo, provocando uma maior tendência para o aumento de peso. A bactéria M. smithii produz metano através da extração de hidrogénio de outros microrganismos. A equipa acredita que isto estimula as bactérias produtoras de hidrogénio, tornando-as mais eficientes no sentido de retirarem mais nutrientes e calorias dos alimentos. É isto que conduz ao aumento de peso.  
 

Estamos apenas a “começar a perceber as comunidades incrivelmente complexas que vivem dentro de nós”, explica Ruchi Mathur. “ Se conseguirmos compreender a forma como afetam o nosso metabolismo, talvez possamos trabalhar em conjunto com essas comunidades microscópicas para que exerçam um impacto positivo sobre a nossa saúde”, conclui.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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