Bactérias da pele influenciam processo de cicatrização

Estudo realizado pela Universidade de Manchester

02 maio 2014
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Os microrganismos que vivem na pele influenciam a rapidez com que as feridas cicatrizam. O estudo conduzido pelos investigadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, poderá conduzir ao desenvolvimento de novos tratamentos para as feridas crónicas que afetam uma em cada vinte pessoas idosas.
 

Os triliões de bactérias que vivem no nosso organismo têm atraído o interesse da comunidade científica nos últimos anos. Estudos recentes têm demonstrado que alguns microrganismos presentes no intestino podem ter um papel benéfico enquanto outros podem causar doença. No entanto, pouco de sabe sob a fina camada de bactérias que cobre a nossa pele.
 

As feridas crónicas são um problema de saúde significativo que atinge particularmente os indivíduos mais idosos. Estes cortes ou lesões que parecem nunca mais cicatrizar são frequentemente consequência da diabetes, circulação sanguínea deficiente ou podem também aparecer  em indivíduos acamados, devido a pressão prolongada no mesmo local.
 

De acordo com um dos autores do estudo, Matthew Hardman, estas feridas podem persistir durante anos, não existindo atualmente nenhum bom tratamento capaz de ajudar a tratar estas feridas.
 

Neste estudo, os investigadores decidiram comparar as bactérias presentes na pele dos indivíduos com feridas que não cicatrizam com aqueles cujo processo de cicatrização era normal. Os investigadores observaram que havia grandes diferenças nas comunidades bacterianas, o que sugere que talvez haja um padrão bacteriano característico das feridas que não cicatrizam. “O conhecimento deste tipo de padrão poderá ter impacto nas decisões de tratamento”, refere o investigador.
 

Através de estudos realizados em ratinhos, os investigadores constataram que os animais que não expressavam apenas um gene específico apresentavam uma comunidade bacteriana na pele diferente e uma cicatrização mais lenta do que os ratinhos do grupo de controlo.

 

O estudo referiu ainda que este gene, que tem sido associado à doença de Crohn, é conhecido por ajudar as células a reconhecer e a responder às bactérias. De acordo com Matthew Hardman estes resultados sugerem que os fatores genéticos influenciam as bactérias presentes na pele, que por sua vez influencia o modo de cicatrização.

 

O investigador acrescentou ainda que um maior aprofundamento do papel das bactéria da pele poderá ajudar a desenvolver novas abordagens de tratamento que protegem contra as bactérias nocivas sem contudo alterar aquelas que parecem ter um papel benéfico.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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