Bactérias da boca podem provocar inflamação no coração

Mecanismo desvendado por cientistas norte-americanos

04 julho 2011
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Cientistas da University of Rochester, EUA, descobriram o mecanismo usado pelas bactérias que normalmente proliferam na boca, para invadir o tecido do coração, causando uma infecção perigosa e às vezes letal conhecida como endocardite.

 

O trabalho levanta a possibilidade de criar uma ferramenta de triagem - talvez um esfregaço do interior da boca, ou um teste de saliva - para avaliar a vulnerabilidade do paciente para esta condição.

 

O Streptococcus mutans é uma bactéria conhecida por provocar as cáries. As bactérias residem na placa dentária - composta por uma matriz molecular criada por S. mutans  que permite que estas habitem e prosperem na cavidade oral, produzindo ácido que corrói os dentes.

 

Normalmente, a bactéria fica confinada à boca, mas às vezes, especialmente depois de um procedimento dentário ou até mesmo após o uso vigoroso do fio dental, as bactérias entram na corrente sanguínea. Normalmente, o sistema imunitário combate-as, mas ocasionalmente – e em apenas alguns segundos - elas viajam até ao coração e colonizam o seu tecido, especialmente as válvulas cardíacas, podendo causar endocardite - inflamação das válvulas do coração - que pode ser mortal.

 

No estudo, liderado por Jacqueline Abranches foi verificado que uma proteína de ligação do colágenio, conhecida como CNM (sigla do inglês), fornece à S. mutans a capacidade de invadir os tecidos do coração. Em experiências de laboratório, os cientistas descobriram que as estirpes com CNM eram capazes de invadir as células do coração.

 

Quando a equipa eliminou o gene para CNM em estirpes onde normalmente estava presente, as bactérias não foram capazes de invadir o tecido do coração. Sem CNM, a capacidade de adesão das estirpes foi cerca de um décimo do que era com CNM.

 

A equipa também estudou a resposta de vermes da cera às várias estirpes de S.mutans. Verificaram que as estirpes sem CNM raramente eram letais para os vermes, enquanto as estirpes com a proteína foram letais em 90% dos casos. Os cientistas eliminaram o CNM nessas linhagens, verificando que estas deixaram de ser letais.

 

Embora sejam necessários mais estudos, os cientistas sugerem que estes dados agora descobertos poderão permitir aos médicos avaliar a vulnerabilidade de um paciente a uma infecção cardíaca causada pela bactéria, usando o CNM como um marcador biológico e tratá-los preventivamente, por exemplo, com antibióticos.

 

Os cientistas reforçam a importância de uma boa higiene oral diária – escovagem dos dentes, uso de fio dental, bochechar elixir oral com flúor antes de se deitar e ter uma boa dieta alimentar - para diminuir o número de bactérias patogénicas na boca.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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