Bactérias comensais regulam resposta imunológica nos pulmões

Estudo publicado no “Journal of Experimental Medicine”

08 janeiro 2016
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A microbiota regula a capacidade das células dendríticas do pulmão produzirem respostas imunes, dá conta um estudo publicado no “Journal of Experimental Medicine”.
 
“Os nossos achados demonstraram que as bactérias desempenham um papel importante na modelação da função imunitária dos pulmões, que durante muito tempo foram considerados locais estéreis. Isto fornece a base para estudar outros aspetos da função imunitária do pulmão que podem ser afetados por comunidades microbianas, e pode também ajudar a melhorar as vacinas nasais utilizadas para proteger contra as infeções no pulmão, e em outras partes do corpo”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Saurabh Mehandru.
 
O corpo humano contém cerca de dez vezes mais células bacterianas que células humanas. As bactérias comensais existem numa relação mutuamente simbiótica e benéfica com os hospedeiros humanos, ajudando em várias funções. Enquanto a maioria dos estudos anteriores têm-se focado na forma como as bactérias moldam e protegem o sistema imunológico dentro dos intestinos, tem-se tornado cada vez mais evidente que os outros locais do corpo também beneficiam deste tipo de bactérias.
 
O sistema imunológico produz uma gama complexa de proteínas e substâncias químicas para proteger contra as infeções, alergias e cancro. Um grupo destas proteínas é denominado por imunoglobulinas, ou anticorpos, os quais são produzidos por células especializadas conhecidas por linfócitos B. A imunoglobulina A (IgA) é o anticorpo que se encontra predominante no interior do revestimento do corpo, a chamada mucosa. Os intestinos e pulmões são duas das maiores superfícies mucosas. Nestes locais, a IgA protege contra infeções tendo alguns estudos sugerido que a IgA pode ajudar a suprimir as alergias nestes locais.
 
Com o objetivo de estudar a produção da IgA nos pulmões, os investigadores da Escola de Medicina de Icahn, nos EUA, utilizaram modelos de ratinho para isolar células especializadas conhecidas por células dendríticas e cultivaram-nas na presença das células B produtoras de anticorpos. Após quatro ou cinco dias verificou-se que os linfócitos B começaram a produzir IgA. 
 
Contudo, o estudo apurou que quando as células dendríticas eram isoladas a partir de ratinhos sem microrganismos ou que tinham sido tratados com antibióticos, a produção da IgA era altamente afetada. Posteriormente verificou-se que quando os ratinhos sem microrganismos eram alimentados com um componente da parede celular das bactérias, o LPS, os pulmões e as células dendríticas começavam a instruir os linfócitos B para estes produzirem novamente IgA.
 
O uso indiscriminado de antibióticos, bem como a sua utilização na produção de alimentos nos países ocidentais, alterou a composição bacteriana do nosso organismo, causando um desequilíbrio microbiano (disbiose). Este processo coincidiu com um aumento dramático de condições alérgicas como asma e alergias alimentares. 
Este estudo demonstrou que há uma associação entre a toma de antibióticos, a disbiose e a redução da produção de IgA nos pulmões. Uma vez que os níveis baixos de IgA já tinham sido previamente associados à asma e outras doenças alérgicas, este estudo fornece um novo mecanismo responsável pelo aumento da incidência destas condições nas populações ocidentais.
 
Adicionalmente, foi demonstrado que a alteração da composição bacteriana do nosso organismo pode ter consequências importantes na eficácia de vacinas utilizadas para proteger as superfícies mucosas do corpo contra a infeção. O estudo demonstra como bactérias comensais podem afetar aspetos importantes da imunidade do pulmão, aumentando consequentemente a suscetibilidade a alergias e infeções.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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