Bactéria pode ser a causa da diabetes tipo 2?

Estudo publicado na revista “mBio”

04 junho 2015
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Investigadores americanos sugerem que a diabetes tipo 2 pode ser causada por uma bactéria, dá conta um estudo publicado na revista “mBio”.
 

As bactérias e vírus desempenham um papel óbvio no desenvolvimento de doenças infeciosas. Contudo, alguns microrganismos têm também sido identificados como causas surpreendentes de outras doenças, como o cancro do colo do útero e úlceras do estômago.
 

O estudo realizado pelos investigadores da Universidade de Iowa, nos EUA, constatou que a exposição prolongada a uma toxina produzida pela bactéria Staphylococcus aureus fazia com que os coelhos desenvolvessem sintomas da diabetes tipo 2, incluindo resistência à insulina, intolerância à glucose e inflamação sistémica.
 

Na opinião dos investigadores estes resultados sugerem que as terapias que têm por alvo a eliminação do Staphylococcus aureus ou a neutralização das toxinas produzidas por esta bactéria pode potencialmente prevenir ou tratar a diabetes tipo 2.
 

A obesidade é um conhecido fator de risco para o desenvolvimento da diabetes tipo 2, mas a obesidade também altera o microbioma, o ecossistema bacteriano que coloniza o organismo e afeta a saúde. “O que estamos a constatar é que à medida que as pessoas aumentam de peso tornam-se cada vez mais propensas a serem colonizadas pelo Staphylococcus aureus”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Patrick Schlievert.

 

Os investigadores já tinham concluído que as toxinas produzidas pelo Staphylococcus aureus afetavam o sistema imunitário e eram responsáveis pelos efeitos mortíferos associados às infeções provocadas por esta bactéria, como síndrome do choque tóxico, sépsis e endocardite.
 

Neste último estudo os investigadores constataram que estas toxinas, também denominadas por superantigénios, interagiam com as células adiposas e com o sistema imunológico levando ao aparecimento da inflamação crónica sistémica. Esta inflamação conduzia, por sua vez, ao aparecimento da resistência à insulina e a outros sintomas característicos da diabetes tipo 2.
 

Através da análise dos níveis de colonização da bactéria na pele de quatro pacientes com diabetes, os investigadores estimam que a exposição aos antigénios bacterianos para os indivíduos colonizados com elevadas quantidades de Staphylococcus aureus é proporcional às doses de superantigénio que causam o desenvolvimento de sintomas da diabetes nos coelhos.    
 

Patrick Schlievert acredita ter encontrado uma forma de interceder e alterar o curso da diabetes. “Estamos a trabalhar numa vacina contra os antigénios e acreditamos que este tipo de vacina poderia evitar o desenvolvimento de diabetes tipo 2", conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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