Bactéria pode diminuir o risco de desenvolvimento de esclerose múltipla

Estudo publicado no “Journal of Neurology Neurosurgery & Psychiatry”

22 janeiro 2015
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Uma bactéria comum pode reduzir o risco de desenvolvimento de esclerose múltipla, pelo menos nas mulheres, sugere um estudo publicado no “Journal of Neurology Neurosurgery & Psychiatry”.
 

Caso estes resultados sejam confirmados em estudos futuros, podem provar a hipótese higienista, ou seja, que as infeções na infância ajudam a preparar e a regular o sistema imunitário para que este consiga combater as doenças autoimunes e as alergias mais tarde na vida.
 

A prevalência da esclerose múltipla tem aumentado em todo o mundo, mas as razões para este aumento ainda não estão claras. Alguns estudos têm sugerido que existe uma ligação entre a infeção infantil e a redução do risco esclerose múltipla, mas todos eles têm sido de pequena dimensão.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade da Austrália Ocidental, analisaram a presença de anticorpos contra a Helicobacter pylori (H. pylori) em 500 indivíduos com esclerose múltipla e 299 indivíduos saudáveis.
 

A H. pylori é geralmente adquirida antes dos 2 anos e se não for tratada persiste a vida toda no estômago. Cerca de metade da população mundial está infetada com esta bactéria, a maioria da qual vive nos países em desenvolvimento, onde a higiene e as taxas de prescrição de antibióticos tendem a ser menores do que nos países desenvolvidos.
 

O estudo apurou que a prevalência da infeção foi significativamente mais baixa nos pacientes com esclerose múltipla, comparativamente com o grupo de controlo. Contudo, esta diminuição, de cerca de 30%, foi apenas observada nas mulheres.
 

Após terem tido em conta fatores como a idade, ano de nascimento, e duração dos sintomas no momento do diagnóstico, as mulheres com esclerose múltipla e com teste positivo para H. pylori pareciam estar menos afetadas pela doença, comparativamente com aquelas que tinham tido resultados negativos para a infeção.
 

No caso dos homens, verificou-se exatamente o contrário. Aqueles com teste positivo para a H. pylori apresentavam níveis mais elevados de incapacidade.
 

De acordo com os investigadores, não há uma explicação lógica para a disparidade encontrada entre os homens e mulheres, sendo por isso necessários estudos adicionais. Apesar de esta questão necessitar de ser elucidada, na opinião de um investigador da Universidade de Kyushu, no Japão, estes resultados podem explicar o recente aumento da prevalência de esclerose múltipla nas mulheres nos países desenvolvidos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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