Bactéria intestinal faz a ponte entre sistema imunitário e metabolismo da glucose

Estudo publicado na revista “Nature Chemical Biology”

16 novembro 2016
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Investigadores americanos descobriram que existe uma ligação importante entre o sistema imunitário, a flora intestinal e o metabolismo da glucose. O estudo publicado na revista “Nature Communications” refere que quando esta interação não funciona corretamente pode conduzir à diabetes tipo 2 e à síndrome metabólica.
 
Natalia Shulzhenko, uma das autoras do estudo, refere que se está a começar a descobrir que na biologia existem múltiplas ligações e comunicações que são muito importantes. 
 
Vários estudos têm demonstrado que o sistema imunitário está associado a outras funções metabólicas através de formas que nunca tinham sido pensadas. A investigadora referiu que este é ainda um pensamento não convencional, que está a ser descrito como uma área, o imunometabolismo. 
 
Através do processo de evolução, os mamíferos, incluindo os seres humanos, desenvolveram sistemas funcionais que comunicam entre si, e os microrganismos são uma parte essencial deste processo.
 
Estudos anteriores já tinham demonstrado que um mediador imunológico, o IFN-y, era capaz de afetar o metabolismo da glucose. Esta proteína sinalizadora ajuda a combater vários agentes patogénicos e infeções. No entanto, a diminuição dos níveis do IFN-y pode conduzir a uma melhoria do metabolismo da glucose. Contudo, este processo ainda não tinha sido bem compreendido. 
 
No estudo, os investigadores da Universidade do Estado do Oregon, nos EUA, constataram que a bactéria a Akkermansia muciniphila (A. Muciniphila) desempenhava um papel importante neste processo de comunicação. Verificou-se que os animais com níveis reduzidos de IFN-y apresentavam níveis elevados de A. Muciniphila e uma melhoria significativa na tolerância à glucose. Quando os níveis de IFN-y aumentaram, os da A. Muciniphila diminuíram e a tolerância à glucose reduziu. Foram encontrados resultados semelhantes nos humanos.
 
Tem sido observado que os atletas têm níveis elevados da bactéria intestinal A. Muciniphila. O estudo demonstrou claramente que os dois sistemas que se acreditava que funcionavam separadamente estão de facto ligados e a ponte é fornecida pela bactéria intestinal.
 
Na opinião dos investigadores, existe provavelmente mais do que uma bactéria neste processo de comunicação e controlo do metabolismo. Na verdade, o intestino alberga milhares de microrganismos que parecem funcionar quase como um órgão metabolicamente ativo.
 
Os cientistas concluíram que a comunicação mediada pelas bactérias é apenas uma parte dos sistemas humanos complexos, sendo que a adoção de uma dieta adequada, a prática de exercício e controlo do peso continuam a ser fatores importantes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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