Bactéria das vias urinárias cria bunker para resistir a antibióticos

Descoberta poderá acabar com infecções

04 julho 2003
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Um novo estudo explica por que razão muitas pessoas têm infecções recorrentes das vias urinárias apesar de tomarem poderosos antibióticos: uma bactéria que invade a bexiga constrói uma espécie de bunker para lhes resistir.
 

 

Investigadores da Universidade de Washington em St. Louis utilizaram um potente microscópio electrónico para descobrir que nos ratos com infecções das vias urinárias causadas pela bactéria e-coli se formam rotineiramente casulos de bactérias dentro das células das paredes da bexiga.
 

 

A bactéria produz dentro dessas células uma estrutura a que se chama "biofilme", uma película com milhares de bactérias individuais que se unem para formar uma colónia resistente aos ataques tanto de antibióticos como do sistema imunitário do organismo, segundo Joseph Palermo, um dos investigadores que trabalhou neste estudo agora publicado pela revista Science.
 

 

Trata-se da primeira vez que uma estrutura de biofilme é encontrada dentro de uma célula, e esta descoberta explica por que razão muitos pacientes não conseguem libertar-se completamente das infecções das vias urinárias.
 

 

"Num biofilme, milhares e milhares de bactérias trabalham juntas como se fossem um organismo multicelular", afirmou Gregory Anderson, outro dos cientistas envolvidos neste trabalho.
 

 

Disse ainda que a bactéria e-coli produz uma película de polissacarídeos que inibe os anticorpos e resiste aos ataques do sistema imunitário.
 

 

Embora o estudo tenha incidido sobre bexigas de ratos, Palermo explicou que este animal é um modelo habitualmente estudado em casos de infecções das vias urinárias devido às semelhanças com o que se passa nos seres humanos em termos de células, tecidos e resposta às infecções.
 

 

Se a formação do biofilme for confirmada também nos seres humanos, dizem os investigadores, isso dará um novo sentido de urgência à necessidade de desenvolver meios alternativos para tratar as infecções persistentes das vias urinárias.
 

 

As infecções recorrentes ou altamente resistentes das vias urinárias constituem um problema médico importante que afecta particularmente as mulheres.
 

 

Estas infecções provocam micções dolorosas e frequentes, febre e podem levar a infecções renais mais perigosas.
 

 

Os antibióticos eliminam normalmente as infecções, mas para muitos pacientes o problema volta a aparecer, mais que uma vez.
 

 

Estima-se que metade de todas mulheres sofram pelo menos uma infecção das vias urinárias durante a sua vida e que 40 por cento delas tenham infecções recorrentes.
 

 

Algumas têm infecções crónicas que requerem tratamento quase contínuo com antibióticos.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

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