Bactéria da pneumonia: uma ou seis?

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

02 outubro 2014
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A bactéria Pneumococcus, responsável por doenças como pneumonia ou meningite, é capaz de se transformar e assumir seis formas diferentes, conclui um estudo publicado na revista a “Nature Communications”.
 

“Analisando os genes desta bactéria, descobrimos um sistema que gera aleatoriamente seis formas diferentes da mesma bactéria e cada uma delas pode conferir-lhe diferentes vantagens em diferentes situações, o que é uma grande arma para a sua sobrevivência e uma maior dificuldade para o homem para travar as infeções por ela causadas”, disse à agência Lusa a investigadora portuguesa Ana Sousa Manso.
 

A investigadora, que está fazer um doutoramento na Universidade de Siena, em Itália, em parceria com a Universidade de Leicester, no Reino Unido, explicou que se trata de "uma forma rápida de estas bactérias se adaptarem aos ambientes de stress em que se encontram", como contacto com novos fármacos, exposição a antibióticos ou a diferentes temperaturas.
 

Para a investigadora é importante continuar a estudar as bactérias e analisá-las de perspetivas diferentes para se encontrarem curas e vacinas alternativas àquelas que atualmente existem.
 

Neste estudo, os investigadores decidiram analisar as bactérias que podem ser encontradas na zona interna do nariz em 30% da população. As bactérias presentes na nasofaringe são habitualmente assintomáticas, não são prejudiciais para a saúde, "mas podem tornar-se invasivas, deslocar-se para outras partes do organismo e provocar doenças", referiu Ana Sousa Manso.
 

A cientista explicou que "não se sabe o que provoca esta mudança", que leva as bactérias a darem origem a "problemas simples", como otites, sinusites ou conjuntivites, mas também a "doenças graves", como a pneumonia e a meningite.
 

"Descobrimos na bactéria um sistema que casualmente muda e, em vez de estarmos a olhar para uma, é como se estivemos a olhar para seis bactérias diferentes, é um mesmo agente com seis máscaras diferentes, que podem mudar de uma para outra, a qualquer momento", uma capacidade comum a outro tipo de bactérias, disse Ana Manso.
 

Até agora, os especialistas olhavam para esta e outras bactérias como uma só, mas esta descoberta "muda a forma como, a partir de agora, a comunidade científica olha para estas e outras bactérias e, consequentemente, as estratégias para o desenvolvimento de novos fármacos que as combatam têm também de mudar", conclui a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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