Bactéria da meningite: como escapa à vigilância do organismo?

Estudo publicado na “Nature”

30 setembro 2013
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Uma das bactérias causadores da meningite e da sépsis tem um sensor de temperatura natural que lhes permite escapar à resposta imunológica e tornar-se uma infeção que coloca em risco a vida das pessoas, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

O meningococo pode ser naturalmente encontrada num terço da população. Na maioria dos casos, esta bactéria é completamente inofensiva, mas em determinadas circunstâncias consegue invadir a corrente sanguínea e o cérebro, causando doenças graves. Uma destas doenças, a sépsis, comumente conhecida como envenenamento do sangue, é extremamente grave e fatal em cerca de 10% dos casos. A doença meningocócica é também a causa mais frequente de morte por infeção na infância.  
 

Compreender os mecanismos de defesa desta bactéria é essencial para o desenvolvimento de novas vacinas, deste modo os investigadores da Universidade de Oxford e do Imperial College London, no Reino Unido, decidiram investigar estes mecanismos.
 

O estudo focou-se na exposição da bactéria a diferentes temperaturas e como estas variações afetam o comportamento deste microrganismo. Foi verificado que o aumento da temperatura  levou a bactéria aproduzir uma maior quantidade de uma cápsula protectora que a envolve. A produção desta capsula é controlada por pequenos sensores térmicos inseridos no código genético da bactéria.
 

Os investigadores observaram que o aumento de temperatura funcionava como um sinal de perigo para a bactéria, fazendo com que esta produzisse mais capsula protetora e outras moléculas essenciais para a sua resistência contra o sistema imunológico.
 

Estes resultados sugerem que as pessoas ficam mais suscetíveis à infeção por esta bactéria quando têm febre. Por outro lado, é agora também mais fácil perceber por que motivo os surtos de gripe, que causam febre, são muitas vezes seguidos por casos de sépsis e meningite.
 

De acordo com os autores do estudo estes achados também sugerem que bactéria pode evoluir ao longo do tempo para sobreviver aos ataques hostis do organismo. As que conseguem sobreviver serão acondicionadas para responder à temperatura do organismo, tornando-as mais virulentas e permitindo-lhes se mover para zonas mais quentes, abaixo da superfície da garganta onde causam infeção.
 

“Este tipo de infeções são extremamente perigosas, particularmente para as crianças pequenas, podendo causar cegueira, danos cerebrais e perda de membros”, revelou em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Christoph Tang.
 

“Conhecer como a bactéria funciona e interage com o sistema imunológico é importante para o desenvolvimento de novas estratégias de tratamento. Este estudo dá-nos alguns novos e fascinantes conhecimentos sobre como a bactéria que causa a meningite evolui para um assassino perigoso, os quais poderão ajudar no desenvolvimento de futuras estratégias para impedir a doença”, conclui, um outro autor do estudo, Doreen Cantrell.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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