Bactéria da boca pode proteger contra o HIV

Cientistas desenvolvem novo fármaco

06 junho 2004
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Uma bactéria que vive na boca pode atacar o vírus HIV e impedir que este  contamine as células.A descoberta anunciada durante na semana passada na reunião da Sociedade Americana de Microbiologia refere que os principais beneficiados serão os recém-nascidos, uma vez que pode ser utilizada para que as mães não passem  o vírus da Sida aos seus filhos. Duas estirpes da bactéria Lactobacillus podem integrar o HIV e impedir que este chegue às células. A bactéria também pode fazer com que as células imunes se agrupem, o que pode ser usado para impedir que as células infectadas contaminem outras. «Apesar dos estudos só terem sido feitos em laboratórios, acreditamos que o trabalho abre novas possibilidades para prevenir a transmissão do HIV por meio do leite materno», afirmou Lin Tao, professor-associado de Biologia Oral na Faculdade de Odontologia da Universidade de Illinois, em Chicago.«Ao contrário das drogas retrovirais padrão, que são demasiadamente tóxicas para recém-nascidos, os lactobacilos são bactérias “amigas” presentes no tubo digestivo humano e nos produtos lácteos, e portanto não apresentam perigo para os bebés».O vírus da Sida atinge cerca de 43 milhões de pessoas no mundo e já matou mais de 25 milhões. É transmitido por fluidos corporais, como sangue, sémen e leite materno.Muitos bebés filhos de mães seropositivas nascem sem o vírus, mas acabam por ser contaminados pelo leite -- em algumas áreas, essa incidência chega a 25 por cento. A cada ano, cerca de 800 mil bebés são infectados no mundo.Dar medicamentos anti-retrovirais às mães e aos bebés, especialmente o nevirapina, pode proteger as crianças no parto, mas não evitam o risco de contaminação posterior pelo leite.«Essa descoberta abre um caminho possível para evitar a transmissão do HIV de mãe para filho por meio do aleitamento», disse Tao, o chefe da investigação, em comunicado de imprensa.A equipa estudou bactérias retiradas de voluntários. «Descobriu-se que as duas cepas se ligavam a diversas variedades do HIV, do vírus relacionado da imunodeficiência símia e às células imunes às quais o HIV visa para a infecção», disse Tao, acrescentando que em outras análises mostrou-se que a bactéria inibia a infecção das células imunes pelo HIV em laboratório.Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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