Bactéria causadora da tuberculose: descoberta nova forma de a eliminar

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

26 agosto 2016
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A bactéria responsável pela tuberculose, lepra e outras doenças sobrevive ao alternar entre dois tipos diferentes de metabolismo. O estudo publicado na revista “Nature Communications” constatou que esta alternância é controlada por um mecanismo que se adapta constantemente às necessidades de sobrevivência da bactéria, tal como um termóstato que reage às alterações de temperatura.
 

As micobactérias são um tipo de bactérias patogénicas que podem causar tuberculose, lepra e outras infeções que afetam os indivíduos com um sistema imunológico comprometido, como é o caso dos pacientes com SIDA. No hospedeiro, as micobactérias produzem energia para metabolizar as gorduras através de um ciclo de reações bioquímicas. Durante este ciclo há a produção de uma molécula que é utilizada pela bactéria, o que interrompe o ciclo de produção de energia.
 

Os investigadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne, Suíça, descobriram que a micobactéria pode alternar entre estas duas vias através da utilização de um mecanismo de “controlo do volume” que melhora a sua sobrevivência. Estes são achados importantes uma vez que podem conduzir ao desenvolvimento de novos tratamentos.
 

A molécula em causa, o isocitrato, quando produzida pode continuar a estar envolvida no ciclo de produção de energia ou ser retirada para sintetizar outras partes da bactéria. Se esta última via for a adotada, o isocitrato tem de ser reposto, caso contrário o ciclo de energia é interrompido. De acordo com os investigadores, liderados por Paul Murima, isto representa um alvo excelente para matar a micobactéria.
 

A chave para o controlo da via a ser adotada parece residir nas enzimas que estão em torno destas reações. Enquanto a enzima isocitrato desidrogenase direciona a molécula para o ciclo de produção de energia, a isocitrato liase e a malato sintase desviam o isocitrato para processos biossintéticos na bactéria.
 

Em colaboração com os Investigadores de Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, os investigadores decidiram avaliar de que forma a micobactéria ativa ou inativa genes destas enzimas, tendo para tal produzido várias estirpes de micobactérias sem os genes que codificam para as enzimas em causa.
 

O estudo apurou que a micobactéria decide em que via o isocitrato deve ser encaminhado através de um mecanismo adaptável e flexível que responde rapidamente à dinâmica do ambiente em que a bactéria se encontra.
 

Os investigadores referem que este mecanismo é também diferente daquele utilizado pelas bactérias intestinais. Desta forma, se este se tornar num futuro alvo de tratamentos, não deverá afetar o microbioma do paciente, o qual se tem demonstrado que está intimamente associado a uma função saudável do sistema imunitário.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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