«Baby-boom» pode estar a caminho

Norte-americanos e ingleses respondem à guerra com amor

31 outubro 2001
  |  Partilhar:

«Make love not war». Esta é uma das frases mais ouvidas quando as ameaças de uma guerra pairam em todo o mundo. A verdade é que para os norte-americanos, o sexo tem sido um grande aliado para apagar da memória os ataques terroristas de 11 de Setembro.
 

 

Enquanto nos EUA o sexo parece ser um meio de esquecer os conflitos mundiais, no outro lado do atlântico, a maioria dos casais britânicos chegaram à conclusão que chegou o momento de abandonar as zangas conjugais e viver o amor mais intensamente.
 

 

Embora não existam dados de que um novo «Baby-Boom» esteja a caminho, outra coisa não se pode esperar. Se a história nos servir de exemplo, não será difícil prever um fenómeno de nascimentos em massa que terá início lá para o fim do ano 2002. «Mas quem quererá colocar uma criança num mundo cheio de tantas incertezas», questiona um agente de seguros alemão reflectindo sobre o futuro.
 

 

Os atentados de 11 de Setembro mudaram, de facto, o mundo. Os aviões desviados que trespassaram as «torres gémeas» de Nova Iorque, as pessoas que se lançaram dos andares do World Trade Center, os relatos das últimas conversas, ou mensagens, deixadas pelas vítimas antes de morrerem são imagens e factos que chocaram milhares de pessoas em todo o mundo.
 

 

Em resposta, os norte-americano sentem-se vulneráveis. O amor acaba por ser a «arma» forte de um povo que vive em sobressalto.
 

 

Amor em tempo de guerra
 

 

Em períodos de «alta ansiedade», as pessoas tendem a produzir emoções fortes, facto que, segundo Pepper Schwartz, socióloga da Universidade de Washington, conduz a mais paixões intensas, mais sexo e até mais casamentos. «É uma forma de apagar o mundo e viver um momento de grande prazer, em oposição à depressão. É uma maneira de bloquear o que está lá fora e esquecer por alguns instantes. Um modo de aproveitar e gozar os sentimentos mais básicos», explicou à Reuters Schwartz.
 

 

Segundo a socióloga, os EUA podem estar a caminhar para um «baby boom» dentro de nove meses, apesar de prever que este acontecimento não seja tão marcante como o que ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial.
 

 

Casamentos em alta
 

 

Responder à guerra com amor. Foi este o modo encontrado pelo povo norte-americano para exorcizar todo o medo e ansiedade vividos nos últimos meses. E é por isso que o comércio de diamantes não pára de aumentar os lucros das vendas. Os anéis de noivado são agora as jóias mais vendidas nas ourivesarias dos EUA.
 

 

Uma boa conjuntura para a De Beers, a maior companhia de diamantes do mundo. Segundo Gary Ralfe, director executivo da companhia de diamantes, as vendas têm vindo aumentar desde o dia 11 de Setembro. E em conjunto aumenta o número de noivados. «Especialmente perto de bases militares», comenta o responsável.
 

 

Na Grã-Bretanha, os tempos instáveis deram outro sentido de união a casais em crise conjugal. «No contexto actual, as desavenças entre casais parecem pouco importantes e as pessoas percebem que os seus relacionamentos são importantes», afirmou uma porta-voz de um serviço de aconselhamento a casais.
 

 

Ao invés, os serviços ingleses de aconselhamento a casos de suicídio e depressão têm muito menos trabalho desde os ataques terroristas a Nova Iorque.
 

 

No resto da Europa, as reacções foram diferentes das vividas pelos norte-americanos e ingleses. Na Alemanha, por exemplo, o medo da guerra acabou por «arrefecer» as paixões. Em França, e à imagem de muitos outros países europeus, onde os casamentos estavam a crescer nos últimos anos, ainda é cedo para saber se os ataques modificaram os números.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.