Aves podem ajudar a compreender mecanismos cerebrais

Depois dos pássaros, as experiências podem estender-se ao Homem

13 janeiro 2003
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A forma como os pássaros cantam poderá ajudar os cientistas a decifrar os mistérios do cérebro. Dois cientistas argentinos, da Universidade de Buenos Aires (UBA), conseguiram reproduzir, através de computador, o canto de pássaros. Segundo os investigadores, este modelo poderá servir de base para tentar deduzir de que forma funciona o cérebro dos animais na aquisição de conhecimentos.
 

 

A investigação, publicada nas revistas norte-americanas «New Scientist» e «Physical Review Letters», parte do princípio de que os seres humanos partilham com os cetáceos e algumas espécies de aves a necessidade de que alguém os ensine a vocalizar.
 

 

Gabriel Mindlin, um dos físicos que desenvolveu explicou que este estudo consistiu m tentar descobrir as regras que regem as actividades de um conjunto de neurónios responsáveis pelo controlo do aparelho vocal nos pássaros.
 

 

Para tal, os cientistas criaram um modelo computacional através do qual conseguem imitar o canto de um pássaro de forma tão perfeita que é difícil diferenciá-lo do canto original.
 

 

Depois disso, acrescentaram um cérebro virtual ao modelo computacional do canto de um pássaro. Com este método descobriram como se compõe a vocalização no cérebro, o que, segundo os cientistas, poderá ajudar a deduzir como funciona o cérebro dos animais através da interpretação dos seus cantos.
 

 

O cientista mostrou-se cauteloso quando questionado sobre a possível aplicação desta descoberta aos seres humanos. Em declarações às revistas científicas, o investigador explicou que este trabalho «dá pistas sobre como funciona a aprendizagem da vocalização no homem». Mas não se cansa de reforçar cautela. «Existe uma analogia mas os seres humanos são muito mais complexos».
 

 

Os físicos argentinos propõem-se agora continuar a investigar o comportamento dos pássaros para integrar os mecanismos da actividade dos núcleos neuronais na aprendizagem.
 

 

O desenvolvimento da ciência na Argentina está em crise, em parte devido à recessão económica que fustiga o país desde 1998 e que provocou uma fuga de cérebros para os Estados Unidos e para a Europa, onde os cientistas encontram maiores recursos e ambientes mais propícios ao desenvolvimento dos seus projectos.
 

 

Mindlin pertence ao Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet) e à UBA, mas planeia prosseguir os seus trabalhos em San Diego, Estados Unidos, ao longo dos próximos 12 meses.
 

 

Fonte: Lusa
 

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