AVC silencioso: anemia e hipertensão aumentam o risco em crianças

Estudo publicado na “Blood”

05 dezembro 2011
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A hipertensão arterial e anemia colocam em risco as crianças com anemia falciforme de sofrerem de acidente vascular cerebral, refere um estudo publicado na “Blood”.

 

Extremamente raro em crianças, o acidente vascular cerebral (AVC) é uma complicação neurológica comum nas crianças com anemia falciforme, uma doença hereditária caracterizada pela deformação das hemácias. Esta deformação causa anemia e também obstrução dos vasos sanguíneos, provocando dor, danos dos tecidos e AVC. O AVC pode manifestar-se em vários sintomas, que incluem dores de cabeça intensas, paralisia de um lado da face ou corpo e perda da fala ou visão. Pelo contrário, o AVC silencioso não causa qualquer destes sintomas, mas causa danos cerebrais que podem conduzir a problemas de aprendizagem e colocam em risco as crianças que sofrem deste tipo de AVC a sofrerem de episódios repetidos de AVC silenciosos ou AVC.

 

De forma a analisaram a associação entre o AVC silencioso, a hipertensão arterial e a anemia, os investigadores do Johns Hopkins Children's Center, nos EUA, contaram com a participação de 814 crianças, com idades compreendidas entre os cinco e os 15 anos, que tinham sofrido AVC silencioso.

 

Após terem analisado as histórias médicas das crianças, os seus exames neurológicos e os níveis de hemoglobina, os investigadores constataram que a anemia - definida como baixos níveis de hemoglobina - e a hipertensão arterial aumentaram o risco de as crianças sofrerem um AVC silencioso, separadamente e de forma incremental. Contudo, a combinação destes dois factores ainda aumentou mais o risco. As crianças que apresentavam a pressão arterial mais elevada e níveis de hemoglobina mais baixos tinham um risco de cerca de quatro vezes maior de sofrerem AVC silencioso, em comparação com os que tinham hemoglobina mais elevada e pressão arterial mais baixa.

 

O estudo revelou que, em comparação com as crianças com níveis mais elevados de hemoglobina, as que apresentavam menores níveis tinham cerca do dobro do risco de sofrer um AVC silencioso. Por outro lado, as crianças que tinham a pressão sistólica mais elevada tinham um risco de 1,7 vezes maior de sofrer este tipo de AVC, em comparação com os que tinham a pressão arterial mais baixa.

 

A cascata exacta de eventos metabólicos que conduzem ao AVC silencioso ainda permanece desconhecida, mas os investigadores acham que a anemia desempenha um papel muito importante.

 

Na opinião dos investigadores, liderados por James Casella, estes resultados chamam a atenção para a necessidade da identificação de sinais precoces de anemia e hipertensão arterial, pois estes são factores de risco modificáveis. Estes resultados também abrem novos caminhos para o desenvolvimento de novos alvos terapêuticos para a anemia falciforme.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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