AVC pode acelerar declínio cognitivo

Estudo publicado no “JAMA”

10 julho 2015
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Investigadores americanos constataram que os indivíduos que sofrem um acidente vascular cerebral (AVC) têm um declínio na função cognitiva e também uma aceleração do declínio cognitivo que persiste ao longo de seis anos, refere um estudo publicado no “JAMA”.
 

“Já sabíamos que o AVC estava associado ao declínio cognitivo a curto prazo. O que não sabíamos era se o AVC estava associado a um declínio da capacidade de raciocínio e memória nos anos seguintes ao evento”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Deborah A. Levine.
 

Para o estudo os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, nos EUA, contaram com a participação de 23.572 indivíduos com mais de 45 anos de idade. No início do estudo, entre 2003 e 2007, os participantes não apresentavam problemas cognitivos, tendo sido acompanhados até março de 2013.
 

Após uma média de período de acompanhamento de 6,1 anos, 515 sobreviveram a um AVC e 23.057 não foram alvo desta condição. Os investigadores verificaram que aqueles que sobreviveram ao AVC apresentaram uma taxa mais rápida de deterioração cognitiva após o AVC, comparativamente com a taxa alcançada antes do AVC.
 

O estudo apurou que o AVC foi também associado a um declínio agudo e persistente da função cognitiva global e executiva, um processo cognitivo que regula a capacidade de o indivíduo organizar pensamentos e atividades, priorizar tarefas, controlar o tempo e tomar decisões, após a contabilização de alterações cognitivas dos indivíduos antes e após o evento. Adicionalmente, ocorreram declínios agudos significativos na aprendizagem e memória verbal após o AVC.
 

Na opinião dos investigadores estes resultados têm potenciais implicações na prática clínica, investigação, bem como na política de cuidados de saúde. Apesar de as recomendações da prática clínica e dos programas de melhoria da qualidade recomendarem uma avaliação cognitiva antes e após a alta hospitalar, estes resultados sugerem que os sobreviventes ao AVC também deveriam ser monitorizados nos anos seguintes ao evento.
 

“Uma vez que os problemas cognitivos que ocorrem após um AVC aumentam a mortalidade, morbidade e custos de cuidados de saúde, os sistemas de saúde e os contribuintes terão de desenvolver sistemas de cuidados eficazes que façam uma melhor gestão das necessidades de longo prazo e dos problemas cognitivos desta população crescente e vulnerável de sobreviventes ao AVC”, concluíram os investigadores.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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