AVC: mais casos a serem diagnosticados em crianças

Avanços nos exames complementares de diagnóstico

20 maio 2014
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Em Portugal há mais casos de acidente vascular cerebral (AVC) a serem diagnosticados em crianças devido aos avanços nos exames complementares de diagnóstico e da melhoria dos cuidados perinatais, uma vez que muitos episódios ocorrem em recém-nascidos ou ainda dentro do útero da mãe.
 
“O que sabemos da literatura é que o diagnóstico, a perceção, aumentou, mas se calhar o número de AVC não terá aumentado assim tanto”, disse à agência Lusa a neuropediatra Rita Lopes da Silva.
 
De acordo com a médica do Hospital D. Estefânia, as atuais ressonâncias magnéticas permitem visualizar AVC que anteriormente não eram detetados numa TAC, por exemplo. Adicionalmente, a melhoria dos cuidados de saúde perinatais e o aumento da sobrevivência de crianças com problemas congénitos que podem originar AVC fazem com que haja um aumento dos diagnósticos.
 
“É uma doença rara, mas não tão rara assim. Se atendermos à mortalidade, está entre as 10 primeiras causas de morte na criança, a par do tumor cerebral. Entre dois a 10 por cada 100 mil crianças até aos 18 anos sofrem um AVC. Este risco aumenta muito no período em redor do nascimento, antes, em redor e após as primeiras semanas”, refere Rita Lopes da Silva.
 
Quando ocorrem ainda no útero, muitas vezes não é dado nenhum sinal e os partos são perfeitamente normais. Apenas aos quatro ou cinco meses pode ocorrer alguma manifestação, quando começam a mostrar uma clara preferência por uma das mãos, o que não é usual durante o primeiro ano de vida, mantendo a outra mais fechada ou inativa.
 
“Nestes casos, com uma ressonância magnética por vezes detetamos um AVC pré-natal. O que merece uma investigação, porque temos de verificar se na criança ou na mãe existe algum risco que seja importante prevenir, por exemplo, para gravidezes futuras”, explicou a neuropediatra.
 
De acordo com dados de um estudo prospetivo de registo de AVC na idade pediátrica da Sociedade Portuguesa de Pediatria e Sociedade Portuguesa de Neuropediatria, entre janeiro de 2009 e dezembro de 2011, foram registados 114 acidentes vasculares até aos 18 anos. Destes, metade ocorreram até aos 28 dias de vida. Dos restantes, a mediana de idades dos AVC foi de sete anos.
 
Em relação ao dos adultos, o AVC pediátrico tem uma maior diversidade de causas, como doenças cardíacas congénitas ou determinadas anemias, embora infeções, como meningites, também possam contribuir.
 
Também quanto à recuperação há diferenças em relação aos adultos. Em pediatria, o potencial de reabilitação “é muito superior”, embora cerca de metade das crianças com AVC fique com algum tipo de défice ou dificuldade, que pode ser cognitiva, motora, comportamental ou sensorial.
 
“Os AVC têm um impacto ao longo da vida. Podemos negligenciar um problema e considerar que [a criança] está funcional. Mas podem surgir mais tarde problemas emocionais ou dificuldades escolares”, conclui a médica.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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