AVC: descoberto mecanismo de reparação cerebral

Estudo publicado na revista “Science”

15 outubro 2014
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Investigadores suecos descobriram o mecanismo através do qual o cérebro produz novas células nervosas após um acidente vascular cerebral (AVC), revela um estudo publicado na revista “Science”.
 

Um AVC é causado pela formação de um coágulo que bloqueia um vaso sanguíneo no cérebro, conduzindo a uma interrupção do fluxo sanguíneo e consequentemente a uma menor disponibilidade de oxigénio. Em consequência desta interrupção do fornecimento de oxigénio, muitas células nervosas morrem, o que resulta em problemas motores sensoriais e cognitivos.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Lund, na Suécia, verificaram que após terem induzido um AVC em ratinhos, as células de suporte conhecidas por astrócitos começaram a formar novas células nervosas na parte danificada do cérebro. Através de métodos genéticos para mapear o destino das células, os investigadores foram capazes de demonstrar que os astrócitos formavam células nervosas imaturas que depois se diferenciavam em células nervosas maduras.
 

“Esta é a primeira vez que se mostrou que os astrócitos têm a capacidade de iniciar o processo que conduz à produção de novas células nervosas após um AVC”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Zaal Kokaia.
 

Os investigadores foram ainda capazes de identificar o mecanismo de sinalização que regula a conversão dos astrócitos em células nervosas. No cérebro saudável, este mecanismo está ativo e inibe a conversão, impedindo consequentemente os astrócitos de produzirem células nervosas. Contudo, após um AVC, o mecanismo de sinalização é suprimido, o que permite aos astrócitos iniciarem o processo de produção de neurónios.
 

O estudo apurou ainda que mesmo quando este mecanismo era bloqueado em ratinhos aos quais não tinha sido induzido um AVC, os astrócitos formavam na mesma novas células nervosas.
 

Estes achados indicam que não é apenas o AVC que ativa o processo latente dos astrócitos. “Deste modo, este mecanismo é um potencial alvo para a produção de novas células nervosas, aquando da substituição de células mortas após outras doenças ou danos cerebrais”, referiu o investigador.
 

“Caso este novo mecanismo também funcione no cérebro humano e possa ser potenciado, isto pode ter relevância clínica não apenas para os pacientes que sofrem AVC, mas também para substituir os neurónios que morrem, restaurando assim a função destes em pacientes com outras doenças, como a doença de Parkinson e a de Huntington”, conclui, um outro autor do estudo, Olle Lindvall.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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