AVC: danos podem ser detetados através de uma nova técnica

Estudo publicado no “Journal of Cerebral Blood Flow and Metabolism”

16 março 2016
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Investigadores americanos desenvolveram um novo método de imagiologia em tempo real de eventos moleculares que ocorrem após acidente vascular cerebral (AVC), dá conta um estudo publicado no “Journal of Cerebral Blood Flow and Metabolism”. 
 
De acordo com a Associação Americana do Coração, os AVC isquémicos são responsáveis por quase 90% de todos os AVC. Estes ocorrem quando uma artéria bloqueada impede o sangue de chegar ao cérebro, resultando, habitualmente, em incapacidade a longo prazo ou morte.
 
No AVC isquémico, uma enzima prejudicial, a gelatinase, fica excessivamente ativa em áreas do cérebro onde o fluxo sanguíneo está interrompido. A excessiva atividade destas enzimas causa danos cerebrais. 
 
Neste estudo, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade do Missouri, nos EUA, colocaram a hipótese de que se fosse possível visualizar e monitorizar a atividade destas enzimas em tempo real, poderia ser possível desenvolver uma forma de a bloquear e impedir danos cerebrais.
 
A ressonância magnética funcional é habitualmente utilizada para diagnosticar AVC, pois produz imagens precisas e seccionadas do cérebro. Apesar de estas imagens conseguirem indicar a região do cérebro com artérias bloqueadas, os atuais agentes de contraste não são suficientemente específicos ou sensíveis para revelar eventos moleculares importantes, como a atividade da gelatinase.
 
De forma a tentar ultrapassar este obstáculo, os investigadores utilizaram peptídeos que reconhecem especificamente a atividade da enzima. Os peptídeos foram marcados com agentes de contraste através de um processo desenvolvido por Roger Tsien, da Universidade da Califórnia. 
 
Após os peptídeos marcados viajarem até ao local onde a atividade da gelatinase está aumentada, são absorvidos pelas células que têm esta enzima ativada. Quando é absorvida uma quantidade suficiente destes péptidos, o local do AVC fica visível numa ressonância magnética. 
 
Os investigadores testaram esta técnica em modelos de ratinho e de células para o AVC isquémico, tendo monitorizado com sucesso a atividade da gelatinase. 
 
“Os nossos resultados indicam que os péptidos marcados podem ser utilizados como uma sonda não-invasiva para detetar e controlar a atividade da gelatinase. Este processo pode servir como ferramenta adicional para os médicos tratarem os pacientes se for desenvolvido um inibidor viável para impedir os danos causados por esta atividade “, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Zezong Gu.
 
Atualmente os investigadores estão a tentar desenvolver um inibidor da gelatinase.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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