Avanços na compreensão da doença de Alzheimer

Estudo da Universidade de Vila Real

12 dezembro 2014
  |  Partilhar:

Investigadores da Universidade de Vila Real afirmam ter realizado “avanços significativos” na compreensão da doença de Alzheimer.
 

O estudo, que apresenta novas formas de diagnóstico e tratamento e foi premiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, está a ser desenvolvido há três anos e é coordenado por Romeu Videira, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). O projeto conta ainda com a colaboração de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra e da Universidade de Aveiro.
 

De acordo com um dos autores do estudo, Romeu Videira, o projeto “desvenda novos mecanismos bioquímicos no cérebro, subjacentes à doença de Alzheimer, que ocorrem antes do declínio cognitivo e antes das tradicionais marcas patológicas associadas à doença”.
 

Esta investigação identificou também um “conjunto de alterações bioquímicas que ocorrem no tecido muscular esquelético e que se correlacionam com a progressão das alterações patológicas no cérebro, possibilitando o diagnóstico das diferentes fases da doença através de biopsias ao tecido muscular esquelético”, disse o investigador.
 

A notícia avançada pela agência Lusa refere que no estudo foram utilizados “ratinhos geneticamente modificados, que desenvolveram a patologia de forma progressiva, tal como os pacientes humanos”.
 

O estudo apurou que muito antes de surgirem os primeiros sinais e sintomas da doença, ocorre uma deficiência nos processos de geração de energia ao nível das mitocôndrias, localizadas nos terminais dos neurónios, e estritamente associada a uma desregulação no metabolismo dos lípidos.
 

Romeu Videira acrescentou que “este défice energético começa por comprometer a comunicação entre os neurónios nas regiões afetadas e, com o avanço da idade, expande-se, promovendo o processo neurodegenerativo característico da doença”.
 

O estudo demonstrou também que a doença de Alzheimer não é específica do cérebro dado que, segundo explicou, “alterações metabólicas são também detetadas em tecido muscular esquelético”.
 

Deste modo, os investigadores propõem que a doença de Alzheimer “deva ser considerada uma doença metabólica sistémica, isto é, que afeta todo o corpo”.
 

Esta visão da doença “permite compreender a perda progressiva de massa corporal exibida por muitos dos pacientes e abre a possibilidade de se conseguir um diagnóstico efetivo das diferentes etapas da doença através de biópsias ao tecido muscular esquelético”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.