Autoperceção materna afeta desenvolvimento cerebral dos filhos

Estudo publicado na revista “Developmental Science”

14 agosto 2013
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A perceção que as mães têm do seu estrato social é indicadora do desenvolvimento cerebral e do nível de stress das crianças, sugere um estudo publicado na revista “Developmental Science”.

 

Enquanto estudos anteriores associaram os fatores socioeconómicos à saúde infantil, este novo estudo levado a cabo pelos investigadores do Boston Children's Hospital, nos EUA, foi o primeiro a associar a função cerebral à autoperceção materna.

 

“Sabemos que existem grandes disparidades no que diz respeito aos rendimentos e educação das pessoas. Os nossos resultados indicam que a perceção que a mãe tem do seu estrato social vive biologicamente nos seus filhos”, revelou em comunicado de imprensa, a principal autora do estudo, Margaret Sheridan.

 

Neste estudo, os investigadores contaram com a participação de 38 crianças com idades compreendidas entre os 8,3 e os 11,8 anos. Todas as crianças forneceram amostras da saliva para medição dos níveis de cortisol, um indicador do stress, e 19 foram também submetidas a uma ressonância magnética do cérebro que se focou na zona do hipocampo. Por outro lado, as mães fizeram uma autoavaliação, numa escala de 1 a 410, do seu estrato social.

 

Após terem tido em conta a idade e sexo das crianças, foi verificado que a autoperceção do estrato social da mãe era um forte indicador dos níveis de cortisol. Os filhos, cujas mães achavam que tinham um estrato social mais baixo, apesentavam níveis aumentados desta hormona. De igual forma esta perceção da condição social da mãe conduzia a uma menor ativação de uma zona cerebral dos filhos, o hipocampo, que está envolvida na formação da memória de longa duração e que está envolvida na aprendizagem.

 

O estudo apurou que, no entanto, a real educação e rendimentos da mãe não eram indicadores dos níveis de cortisol ou da ativação do hipocampo.

 

Estes resultados sugerem que, embora o estrato socioeconómico seja variável, a forma como as pessoas o vêm e se adaptam à sua situação é um fator importante no desenvolvimento das crianças. De acordo com a investigadora, algumas destas características podem ser culturalmente determinadas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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