Autolesão aumenta entre os jovens portugueses

Estudo realizado para a Organização Mundial da Saúde

23 dezembro 2014
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A autolesão é praticada por um quinto dos jovens portugueses entre os dez e 20 anos de idade, uma prática que se tem agravado desde 2010, dá conta um estudo que foi realizada para a Organização Mundial da Saúde (OMS).
 

O estudo contou com a participação de seis mil alunos do 6.º, 8.º e 10.º ano, com uma média de 14 anos, oriundos de escolas de várias regiões de Portugal.
 

De acordo com os dados preliminares do estudo, 20% dos jovens inquiridos referem ter-se magoado a eles próprios pelo menos uma vez nos últimos 12 meses.
 

A coordenadora do estudo em Portugal, Margarida Gaspar de Matos, explicou à agência Lusa que estes jovens infligem lesões a eles próprios como forma de descompressão, para tentar controlar o stress, para se acalmarem ou mesmo para vencerem a monotonia das aulas.
 

“Mas estes comportamentos autolesivos acabam por não ser um alívio. É uma tentativa frustrada de descompressão”, disse a especialista.
 

Mais de metade dos jovens indicou que se sentia triste (59%) e farto (52,3%) durante o comportamento autolesivo, sendo as raparigas aquelas que referem ter-se magoado de propósito mais frequentemente.
 

Margarida Gaspar de Matos considera que é necessário olhar com atenção para a saúde mental dos jovens e procurar medidas: “o decréscimo global desde 2010 da sua saúde percebida, tanto a nível de sintomas físicos como de sintomas psicológicos de mal-estar, sugere que a saúde mental dos adolescentes é um assunto subestimado e a carecer de atenção urgente”.
 

Além do aumento da perceção de sintomas físicos e psicológicos no que se refere à saúde destes jovens, cresceram também os comportamentos de provocação (bullying) que vinham a baixar desde 2006.
 

Relativamente aos sintomas psicológicos, apesar de a maioria dos adolescentes ter indicado que raramente os sente, mais de oito por cento dos inquiridos dizem sentir-se nervosos quase todos os dias, enquanto 5,9% refere sentir irritação numa base diária e 5,1% admite estar triste ou deprimido.
 

No entanto, o estudo demonstrou que houve uma diminuição no consumo de álcool, tabaco e outras substâncias ilegais. “É positivo que estes consumos tenham descido. Mas devemos lembrar-nos que estas substâncias eram associadas a uma descompressão. E temos a saúde mental e física a piorar, tal como a violência interpessoal e a autolesão. Temos de encontrar formas de perceber como estes jovens podem descomprimir”, conclui Margarida Gaspar de Matos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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