Autodiagnóstico: a internet não é um médico

Estudo publicado no “Journal of Consumer Research”

25 julho 2012
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Os indivíduos que se autodiagnosticam têm tendência a acreditar que sofrem de uma doença grave porque direcionam a sua preocupação para os sintomas em vez de se concentrarem na probabilidade de sofrerem de uma determinada doença, sugere um estudo publicado no “Journal of Consumer Research”.
 

“Atualmente, é muito comum as pessoas fazerem pesquisas na internet e se autodiagnosticarem. A procura de sintomas pode levar muitas pessoas a sobrestimar a probabilidade de estarem com uma doença grave, pois focam-se nos sintomas e ignoram o facto de estes serem pouco prováveis de indiciarem uma doença grave”, explicaram, em comunicado de imprensa, os investigadores da Hong Kong's University of Science, na China.
 

Neste estudo os investigadores focaram-se em dois parâmetros que influenciam o fato de as pessoas acharem que têm de uma determinada condição: a taxa da ocorrência da doença na população em geral e a descrição dos sintomas. Para os autores do estudo, o peso que as pessoas dão à taxa de ocorrência da doença e aos sintomas dependem da sua “distância psicológica” para com a pessoa alvo.
 

Esta teoria defende que as pessoas, no caso de se estarem a avaliar a elas próprias, dão mais importância aos sintomas e menos à taxa da ocorrência da doença. Contudo, quando estão a avaliar os outros fazem precisamente oposto.
 

Os investigadores explicam que, por outro lado, as pessoas otimistas subestimam o risco de sofrerem de uma determinada doença, por exemplo estarem infetadas com VIH. Já as pessoas pessimistas sobrestimam os sintomas e pensam estar a ter um enfarte agudo do miocárdio quando na realidade estão apenas perante uma indigestão.
 

De forma a validar as suas teorias, os investigadores colocaram centenas de estudantes perante vários cenários de doenças, como a gripe, hepatite C, cancro, tendo-os informado quanto à sua prevalência e sintomas associados. Foi pedido aos participantes para imaginar que eles próprios ou pessoas a elas estranhas tinham sintomas de determinada doença.
 

O estudo apurou que quanto menor era proximidade entre o participante e a outra pessoa, mais peso era dado à prevalência da doença. Por outro lado, era dado mais enfoque aos sintomas quanto mais próxima fosse a relação.
 

Os autores do estudo aconselham assim que em caso de dúvida se consulte um médico em vez de pesquisar na internet sobre os seus sintomas, pois por vezes pode conduzir a um diagnóstico errado e à toma de medicamentos desnecessários. Um médico tem o conhecimento necessário e tem em conta a incidência da doença pois consegue analisar o paciente com uma certa distância.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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