Autocontrolo na infância dita futuro

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Science”

28 janeiro 2011
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As crianças que, aos três anos têm um baixo autocontrolo, têm um maior risco de terem problemas de saúde, dependência de substâncias, problemas financeiros e maior tendência a cometerem crimes na idade adulta, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Science”.

 

Para este estudo os investigadores da Duke University, na Carolina do Norte, EUA, analisaram o autocontrolo de mais de mil indivíduos, nascidos entre 1972 e 1973, quando estes tinham três anos. Os dados foram fornecidos pelos pais, professores e pelas próprias crianças. Estes incluíam medidas da tolerância à frustração, da persistência em atingir objectivos, da perseverança, da reactividade, da dificuldade em esperar pela sua vez, da hiperactividade e da inconsciência.

 

A equipa, liderada por Terrie Moffitt e Avshalom Caspi, verificou que os indivíduos que aos três anos tinham um menor autocontrolo, tinham, aos 32 anos, uma maior tendência para apresentar problemas de saúde como, problemas respiratórios, doença periodontal, doenças sexualmente transmissíveis, inflamação, obesidade, pressão arterial e colesterol elevados.

 

A impulsividade e a incapacidade relativa de pensar a longo prazo, inerente aos indivíduos com baixo autocontrolo, determinaram que estes apresentassem maiores dificuldades para gerir as suas finanças. Adicionalmente, também tinham uma maior tendência a serem pais solteiros, a terem registo criminal e à dependência de álcool, tabaco, cannabis e drogas duras.

 

No entanto, os indivíduos que, de alguma forma, encontraram uma forma de aumentar o seu autocontrolo ao longo da idade, tendiam a apresentar melhores resultados na idade adulta do que o inicialmente previsto.

 

Para melhor corroborar a importância do autocontrolo, Caspi e Moffitt analisaram o comportamento de 500 gémeos oriundos da Grã-Bretanha e descobriram que o irmão, que aos cinco anos apresentava um menor autocontrolo, tinha, em comparação com o seu irmão, uma maior probabilidade de começar a fumar, ter um mau desempenho na escola e de manifestar comportamentos anti-sociais aos 12 anos.

 

De acordo com os investigadores, o autocontrolo é algo que pode ser ensinado e isso poderia ajudar os contribuintes a poupar muito dinheiro em cuidados de saúde, na justiça e nos problemas de abuso de substâncias. Assim, Terrie Moffitt revela que agora o desafio se deverá centrar no desenvolvimento de intervenções especificamente centradas na melhoria da capacidade de autocontrolo que pode ser ensinada a todos os jovens.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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